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II Escola de Formação Política do Foro de SP: Os desafios presentes e futuros da integração

No dia 31 de julho, foi realizada a última mesa de debate da II Escola de Formação Política do Foro de São Paulo, intitulada “Os desafios presentes e futuros da integração”. A mesa foi composta pelo embaixador brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães, por Ricardo Alemão Abreu, do PC do B, pelo Dr. Eric Villanueva Mukul, do PRD México, e por Roberto Conde, FA Uruguai.

O debate foi iniciado por Eric Villanueva, que abordou o tema “México, América do Norte e América Latina”. De acordo com Villanueva, as políticas neoliberais iniciadas com o ingresso do México no GATT em 1986 e, depois, no Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos (TLCAN), em 1994, não trouxeram resultados econômicos satisfatórios ao país. Segundo ele, o TLCAN privilegiou os acordos comerciais, mas não se ocupou das assimetrias entre as economias.

Embora o TLCAN tenha provocado um aumento das exportações mexicanas, o tratado fez com que o México perdesse a competitividade internacional e aumentasse a informalidade, o subemprego e os baixos salários, refletindo num aumento do número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza.

Para Villanueva, esses resultados econômicos e sociais reforçam a ideia de que o tratado não foi favorável ao México, uma vez que não se traduziu em crescimento econômico e desenvolvimento. Nesse contexto, ele defendeu que o México deveria privilegiar a relação comercial com a América Latina, que é um mercado natural para os produtos e serviços mexicanos.

A abordagem do embaixador Samuel Pinheiro foi mais voltada para a atuação internacional dos Estados Unidos em busca da criação de uma economia global, sem obstáculos para a circulação de bens e capital. Segundo Pinheiro, o modelo americano, na verdade, tem como objetivo proteger seus territórios econômicos, bem como obter ganhos e vantagens com o livre comércio.

Para isso, os Estados Unidos trabalha internacionalmente para criar instrumentos paralelos e simultâneos que uniformizem a legislação de natureza econômica, que, ao contrário do que muitos pensam, não intencionam a promoção do desenvolvimento de outros países. “Esses instrumentos são acordos e tratados”, explicou Pinheiro, que completou: “O objetivo é a criação do livre comércio, no qual os Estados Unidos têm vantagens competitivas por seu avanço tecnológico”.

Durante sua exposição, Pinheiro afirmou que a estratégia dos Estados Unidos na América Latina se confronta diretamente com as iniciativas de integração na região, já que defende a implantação do neoliberalismo, o livre comércio e o fim do Mercosul. “A ampliação do Mercosul é uma iniciativa de resistência a esse projeto dos EUA na América Latina”, ressaltou.

Da apresentação de Ricardo Alemão Abreu, três pontos merecem destaque no que diz respeito aos desafios para a integração na América Latina e Caribe: a necessidade dos países latino-americanos de se conhecerem mais profundamente, não só do ponto de vista econômico, mas também histórico, cultural e político; a abordagem da doutrina da integração defendida por Lula, que supõe mais capacidade de análise, formulação e articulação estratégica, permitindo estabelecer um intercâmbio sistemático entre os governos progressistas e de esquerda; e o resgate de nomes de brasileiros que estimularam os processos de integração latino-americanos, como José Bonifácio, Abreu e Lima, Manoel Bonfim, San Thiago Dantas, Araújo Castro, Darcy Ribeiro e Celso Amorim.

Segundo Ricardo, a ampliação do Mercosul com o ingresso de novos países é um importante suporte à promoção da integração na América Latina, além de ser uma oportunidade de apresentar um modelo diferente do norte-americano, ao qual temos que resistir. Para finalizar sua exposição, Ricardo elencou três elementos-chave para potencializar o processo de integração latino-americano: soberania nacional e continental contra o imperialismo; combate às assimetrias e a promoção da solidariedade entre os países; e definição de um rumo orientador com base no socialismo.

O último expositor, Roberto Conde, corroborou a visão dos outros companheiros de que o Mercosul é uma importante resposta e espaço de resistência à expansão imperialista, uma vez que traz um modelo alternativo ao livre comércio e ao neoliberalismo norte-americano. Para apoiar esta afirmação, Conde apresentou um breve histórico dos efeitos do imperialismo e da ofensiva dos Estados Unidos na América Latina.

Para ele, a integração é a base para o desenvolvimento e a libertação da América Latina, uma vez que o neoliberalismo e o livre comércio, como foi dito pelos demais expositores, não trouxe nem trará o desenvolvimento para esses países. As investidas norte-americanas na América Latina comprometem o desenvolvimento dos países, que, por essa razão, devem se organizar em um modelo diferente de integração.

Além de apontar que o pensamento estratégico e a vontade política são fundamentais para avançar na integração latino-americana, Conde ressaltou que o neoliberalismo não está derrotado e tem obtido triunfos, como a Aliança do Pacífico. O que aconteceu foi que os EUA perderam o poder unipolar de fazer avançar o neoliberalismo. “Isso quer dizer, portanto, que temos uma batalha em curso, e a nossa única resposta possível é a integração a partir de um modelo diferente do neoliberal e resistente a ele”, concluiu.