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II Escola de Formação Política do Foro de SP: Integração física e planificação

 

Por Comunicação ENFPT

Os desafios da integração física latino-americana foram o tema da mesa “Integração física e planificação”, ocorrida no segundo dia da II Escola de Formação do Foro de São Paulo (30/7). O debate contou com a presença de Esther Bemerguy, Secretária da SPI e Coordenadora Nacional do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (COSIPLAN), e Jacinto Suárez, do FSLN Nicarágua.

Esther Bemerguy deu início à sua fala tratando das diferenças sociais e econômicas ainda enfrentadas entre os países sul-americanos, levantando reflexões sobre as estratégias e ações trazidas por essa agenda. “A integração física da América do Sul deve levar em consideração o combate às assimetrias da região através do desenvolvimento”, afirmou Bemerguy. Para ela, boa parte desse processo é hoje encaminhado por empresas privadas, voltadas a objetivos mais econômicos, o que poderia dificultar a construção de uma integração produtiva organizada a partir de políticas.

A coordenadora tratou do papel da UNASUL, organização de fundo político fortemente voltado à integração multilateral através de objetivos comuns, como uma ferramenta para transformar esse cenário. Ao tratar do assunto, ela dissertou sobre as possibilidades abertas pelo COSIPLAN da UNASUL, órgão que, gerido através de critérios políticos a orientar decisões técnicas, pensa a infraestrutura mais articulada a projetos de desenvolvimento regional na América Latina.

Em seguida, ela enfatizou o papel dos diversos grupos de trabalho técnicos do COSIPLAN voltados à reflexão e à criação de propostas para o desenho de uma integração voltada ao desenvolvimento regional conjunto. Bemerguy tratou, ainda, do desenho institucional do COSIPLAN, problematizando os desafios levantados, em sua formação, pela absorção do IIRSA em seu Conselho – transição em cujo processo teria surgido a necessidade de redesenho de algumas metodologias e ações dos grupos de trabalho.

O IIRSA, ela explicou, é a sigla dada à Iniciativa para Integração de Infraestrutura Regional Sul-Americana, instância que, em 2009, foi substituída pelo COSIPLAN. A reformulação foi desenhada com o intuito de viabilizar um conselho em nível ministerial entre os países da UNASUL, num movimento que oferecesse espaços que articulassem de maneira mais aprofundada a ação política aos projetos técnicos.

Como exemplo da complexidade da questão da integração regional como motor para a diminuição de disparidades, Esther Bemerguy tratou do papel dessas relações internacionais não apenas no que diz respeito à desigualdade entre os países da região, mas, também, no próprio interior das nações. “As assimetrias no próprio interior do nosso país poderiam ser tratadas pela chave do desenvolvimento regional na América do Sul. O Mercosul, por exemplo, com indústrias fortemente concentradas no sul e sudeste do Brasil, tem atuado para o aumento de disparidades regionais internas no país”, afirmou.

Em seguida, teve a palavra Jacinto Suarez. A partir do exemplo da Nicarágua, tratou da relação entre trabalho e integração regional, com seus efeitos na infraestrutura e economia. Suarez deu destaque em sua fala ao projeto de desenvolvimento de infraestrutura regional proposto na construção de um canal inter-oceânico na Nicarágua. A obra, que, como o Canal do Panamá, tornaria possível o trânsito entre os oceanos Atlântico e Pacífico, integraria espaços como portos, usinas de produção de energia e postos comerciais. O projeto, afirmou, serviria como fator essencial ao desenvolvimento social e econômico nicaraguense e centro-americano, estimulando o fluxo de pessoas, bens e tecnologias e provocando enorme geração de empregos. Ao fim, ressaltou que o projeto é aberto à participação de outros países latino-americanos, enfatizando o papel de vetor de integração regional oferecido pelo projeto.