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II Escola de Formação Política do Foro de SP: A Integração do ponto de vista dos Estados Unidos, Europa e Ásia

“O Tratado de Livre Comércio para a Ásia-Pacífico é estratégia dos EUA para isolar a China”,  Saúl Escobar

A segunda mesa da II Escola de Formação Política do dia 29 de julho, intitulada “A Integração do ponto de vista dos EUA, Europa e Ásia”, teve como debatedores, Saúl Escobar, do PRD México, e Kjeld Jakobsen, do PT Brasil.

Escobar iniciou a sua apresentação discorrendo sobre os aspectos históricos do NAFTA – Tratado Norte-Americano de Livre Comércio – assinado em 1994, entre Canadá, EUA e México. Enfatizou como os tratados de livre comércio que envolvem países da América Latina se consolidaram em um tempo histórico específico: após o colapso da União Soviética e após o Consenso de Washington, ou seja, na era neoliberal.         

De acordo com Escobar, o NAFTA, a princípio, foi bem visto pelos mexicanos porque configurava-se como um acordo entre um país exportador de bens manufaturados para um país industrializado. Por isso, foi percebido como uma ótima oportunidade para o México se desenvolver.

As expectativas, porém, foram frustradas pelos resultados. Segundo a análise de Escobar, ao invés de uma grande industrialização, o México se afundou em uma dívida enorme ao importar maquinário de outros países; deixou de ter autossuficiência alimentar, uma vez que é mais barato comprar os produtos agrícolas livres dos EUA – e hoje o principal alimento consumido no país, o milho, precisa ser importado para suprir a demanda nacional -; os melhores salários não existiram e os reais e baixos salários incentivaram o fluxo migratório do México para os EUA, e na maior parte sem documentação, submetendo os mexicanos a situações exploratórias de seu trabalho.

Resumidamente, o Tratado de Livre Comércio aprofundou ainda mais as desigualdades entre os países.

No entanto, uma nova ordem vem se estabelecendo no cenário internacional: o surgimento de novos atores, principalmente países emergentes e asiáticos, e novas alianças têm modificado as relações de força entre os países. Conforme afirmou Escobar, “a China superará o PIB dos EUA em 2030“, e com a perda de força econômica, os EUA também deixarão de exercer a sua hegemonia militar.

A tese de Escobar é de que para tentar impedir este fortalecimento da China, os EUA têm modificado a sua estratégia, no que diz respeito à formação de blocos e alianças, no mesmo momento em que o NAFTA já dava sinais de esgotamento. O Tratado de Livre Comércio para a Ásia-Pacífico (TTP) deverá incluir países, como EUA, Brunei, Malásia, Peru, Chile, Nova Zelândia, Austrália, Singapura e Vietnã, além dos convidados Japão, Colômbia e México. “Não se trata de substituir o NAFTA, mas integrar o México no TPP. Pode ser que as regras do NAFTA desapareçam, mas não dá pra saber“, complementou Escobar.

O TPP é um modelo de integração pós-NAFTA, mais aperfeiçoado, e deverá elevar o nível de demanda na área de propriedade intelectual, homogeneizar sistemas regulatórios favoráveis às empresas americanas, incorporar regras para as empresas estatais de forma a equiparar a competição com empresas privadas, entre outras características apresentadas por Escobar.

A exposição de Kjeld Jakobsen foi mais focada na história dos tratados na Europa desde 1948. Citou alguns exemplos como: Benelux, Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, Comunidade Econômica Europeia, Comunidade Europeia de Energia Atômica e atual União Europeia.

Após tantas experiências na Europa, a União Europeia conseguiu avançar em vários aspectos apontados por Jakobsen, que caracterizou o bloco como um tratado de livre circulação de capital e trabalho, com liberalização interna e protecionismo para o exterior, de alta institucionalidade (Comissão Europeia, Parlamento etc.), com fundos regionais compensatórios para países e regiões mais débeis e direitos sociais e sindicais comunitários.

No entanto, apresenta ainda muitas dificuldades, tais como: dependência da segurança dos EUA via OTAN; perda de competitividade frente à China; integração econômica neoclássica: empresas ganham em escala, mas postos de trabalho desaparecem; assimetrias não consideradas antes da moeda comum; integração direcionada do centro-periferia; entre outras.

Para finalizar, Jakobsen destacou que temos que combater as assimetrias, e “a integração deve dar conta das diferenças entre os países“.

Assista ao vídeo da TV Foro, onde Kjeld Jakobsen e Saúl Escobar falam dos desafios da integração em nosso continente:

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