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II Escola de Formação Política do Foro de SP: A crise do capitalismo, os novos acordos e processos de integração em outras regiões do mundo e a integração latino-americana

 

Por Comunicação ENFPT

O segundo dia da II Escola de Formação do Foro de Sao Paulo tratou da crise do capitalismo e dos processos de integração regional na mesa “A crise do capitalismo, os novos acordos e processos de integração em outras regiões do mundo e a integração latino-americana”. No debate, estiveram Mariano Ciafardini, do PSol Argentina; Lourdes Regueiro, do Centro de Investigaciones de Política Internacional del MINREX, em Cuba; e Jorge Cadena, do PRD do México.

Mariano Ciafardini deu início às falas tratando do panorama histórico que, ao longo do século XX, ofereceu campo fértil para lutas. “A revolução russa foi um momento histórico único, em que a propriedade foi abolida”. Ao que completou: “Há nela, como na Revolução Francesa, um fundo de utopia”. Ele prosseguiu traçando paralelos com a Revolução Francesa, ao lembrar que “Lenin, após a revolução russa, contava os dias para que ela durasse mais que a Comuna de Paris. Ao fim, o experimento durou 70 anos.”

Ciafardini tratou, em seguida, da relação entre os episódios históricos de proposição do modelo socialista. “A partir da Revolução Russa outros movimentos se viabilizaram, como a Revolução Chinesa e a Revolução Cubana”. Para Mariano, a Revolução Russa dependia da internacionalização, e o capitalismo resistiu em núcleos duros do desenvolvimento global, especialmente EUA, Japão e Europa Ocidental. O que, para ele, se delineou como um desafio para o socialismo real.

De acordo com Ciafardini, houve espaços de manutenção e fomento do projeto socialista, como em Cuba, que resistiu – especialmente, por conta da solidariedade dos países latino-americanos. Outros, como a China e o Vietnã, se desenvolveram de modo que pudessem dar continuidade ao seu próprio projeto, num movimento articulado à reconfiguração trazida pela globalização. “A Rússia, por sua vez, explicou, implodiu num processo político mais conjuntural do que usualmente considerado, processo ao fim do qual foram assaltados por um capitalismo mafioso brutal”, explicou.

E finalizou: “A estratégia atual da classe trabalhadora na AL precisa levar em consideração uma visão ampla que se centre na integração e na abertura às oportunidades que se apresentam em nível global.”

Na sequência, teve a palavra Lourdes Regueiro, numa fala voltada ao processo de integração na AL e às disputas pelo controle da região por atores globais. “A atual crise tem conjugadas diferentes extensões: econômica, política, ambiental. O que desaguou em mudanças no modo como são negociados acordos globais.”

Para Lourdes, o que está em jogo é a natureza e a liberdade dos investimentos, o que se desdobra num debate sobre a propriedade privada. Uma conjuntura que, para ela, leva à análise dos atores políticos e institucionais a influenciar as disputas globais. Como exemplo, lembrou que “a Aliança do Pacífico é um operador geopolítico regional. Um projeto temporário que se desenvolve como parte de um projeto global.”

E prosseguiu, ao pontuar que a “aliança latino-americana com a China, que, dependendo das negociações, pode trazer benefícios à região, também pode ser fator de risco, dependendo do jogo de disputa e influência conjuntural”. Para Lourdes, está em disputa na América Latina um novo projeto de produção e reprodução política, um cenário no qual instituições de integração regionais como a “CELAC, a UNASUL, a ALBA e o Mercosul se apresentam como fator de risco para o projeto de dominação por potências extrarregionais”.

O debate teve prosseguimento com Jorge Cadena. “O paradigma de crescer e crescer é uma loucura num mundo com recursos finitos”, iniciou Cadena, ao trazer para a discussão o problema da crise ambiental.

Cadena lembrou da necessidade de problematizar as entidades do mercado e do Estado, lembrando tratar-se, ambas, de construções históricas e sociais que estão em constante transformação a partir da participação dos atores que as configuram. Sobre o assunto, enfatizou a necessidade de “construir mundos diversos e possíveis que tenham a perspectiva da utopia”.

Jorge Cadena tratou, ainda, da mercantilização da vida pública e do desmantelamento do estado de bem estar social, lembrando das ofensivas neoliberais feitas em iniciativas como a privatização de serviços essenciais e o monopólio dos meios de comunicação. Um processo que, afirmou, se desdobra da precarização de direitos sociais e da própria noção de cidadania.

Ao fim, o membro do PRD mexicano levantou a questão da crise neoliberal e tratou de algumas de suas soluções, como transparência e fortalecimento do Estado, com medidas como o controle de capitais especulativos e a prioridade de investimentos no trabalho e no setor produtivo.