Em Olho D’Água do Casado, no alto sertão de Alagoas, a tradição do bordado ganhou novos significados pelas mãos de mulheres que transformaram o saber popular em organização coletiva, geração de renda e fortalecimento comunitário. Liderado por Mestra Graça, o trabalho desenvolvido na região reúne mais de 20 bordadeiras em torno de uma associação que mantém viva a cultura local enquanto amplia oportunidades para mulheres sertanejas.
A iniciativa conecta memória, identidade e autonomia econômica por meio da formação popular. O bordado, antes aprendido dentro de casa e transmitido entre gerações, passou a ocupar também um papel de transformação social, criando possibilidades de renda e fortalecendo o protagonismo feminino no sertão alagoano.
A história de Mestra Graça com o bordado começou ainda na infância. Filha de costureira e neta de bordadeira, ela cresceu acompanhando o trabalho manual dentro da própria família, absorvendo os ensinamentos que mais tarde dariam origem à associação.
“O bordado entrou na minha vida quando eu era bem pequena, tinha 9 anos. Minha avó era bordadeira e minha mãe, costureira. Eu cresci observando, aprendendo com elas. Minha avó me ensinou os primeiros pontos”, relata Mestra Graça.
Ela conta que o aprendizado foi sendo construído de forma coletiva e afetiva, envolvendo também outras mulheres da comunidade. “Depois, uma bordadeira que foi fazer o parto da minha mãe também me ensinou mais um pouco. Eu bordava por curiosidade, só pra aprender mesmo, porque minha profissão sempre foi a costura”, afirma.
Com o passar dos anos, o bordado deixou de ser apenas um conhecimento guardado na memória familiar e passou a representar um instrumento de transformação para outras mulheres da região. “O bordado veio como uma semente que ficou ali guardada e só germinou anos depois”, resume Mestra Graça.
A experiência construída no alto sertão de Alagoas também evidencia a força da formação popular como ferramenta de emancipação. Ao valorizar os saberes do povo, fortalecer vínculos comunitários e incentivar a organização coletiva, iniciativas como a de Mestra Graça ampliam a autonomia econômica e ajudam a preservar práticas culturais profundamente ligadas à identidade do território.

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