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Em Pauta Conjuntura: Em defesa de Lula

Foto: Fernanda Estima/Acervo Sérgio Buarque de Holanda

 

Vivemos tempos difíceis de obscurantismo na política. Há pouco mais de ano experimentamos um golpe protagonizado por trombadinhas travestidos de parlamentares, muitos, como agora vai se comprovando aos poucos, regiamente pagos para tanto. Derrubaram uma presidenta séria e honesta, eleita com 54 milhões de votos. Suas lideranças se encontram hoje presas ou prestes a ingressar no rol dos culpados por corrupção.

Entrementes o governo golpista, composto de maioria branca, masculina e sexagenária, derrogou direitos, passou a tratar com indiferença o discurso de ódio, reprimiu manifestações e destruiu políticas públicas em todos os setores.

A destruição do PT e a de Lula, em especial, é a cerejinha no bolo da direita política. É o passo final para garantir a ociosidade permanente do capital e a reprodução perpétua do regime de rentismo e de apropriação de ativos pelos poderosos.

Julgado por um regime de justiça de exceção, condenado pela Rede Globo e por todas as grandes empresas de comunicação antes já de ser julgado, só há um caminho para defender Lula: restituí-lo à história do povo brasileiro. É vão pretender formar um juízo equilibrado em uma cena armada para condenar.

Se Mandela foi condenado por um júri de brancos no país do apartheid social, Lula está sendo condenado por um júri de classe dos grandes capitalistas no país do apartheid social. A comparação de Lula com Mandela neste momento dramático da história secular e épica de resistência do povo brasileiro, de Zumbi de Palmares a Chico Mendes, de Tiradentes a Gregório Bezerra, de Pagu a Margarida Alves, de Antonio Conselheiro a dom Hélder Câmara, é justa, necessária e incontornável.

É justa porque, assim como Mandela, Lula é a liderança operária e popular de maior raiz, amplitude e identidade de toda a história brasileira. Sua origem social, suas quatro décadas na vanguarda da construção da democracia, o fato de ser o maior símbolo da esperança de um Brasil sem apartheid social convergem para este diagnóstico.

Lula soube ser visionário, acreditar no nosso povo e nos liderar numa marcha civilizatória onde o Brasil teve a primeira chance de reparar sua história de país escravocrata e dominado por uma elite atrasada. O que mais surpreende e inova no modelo liderado pelo estadista Lula é ter um projeto de justiça social intrinsecamente colado ao modelo de desenvolvimento.

“A maior riqueza do Brasil é seu povo”, sempre afirmou o Presidente Lula. E ter milhões de pessoas excluídas que passam a contar com uma renda, que além do direito ao acesso à bens e serviços (sim, nosso povo tem direito à geladeira, carne, iogurte, cortar o cabelo, comprar perfume e viajar de avião), é uma oportunidade de ampliar o mercado de consumidores de alimentos e bens produzidos internamente ao país.

Sim, outro Brasil é possível. A fome e a pobreza nunca foram fenômenos naturais, derivados da seca ou de atributos da nossa gente. A fome e a pobreza resultavam de decisão política e começaram a ser revertidos por decisão política quando Lula assume: “colocar o pobre no orçamento” é a frase síntese desta opção.

Lula sempre esteve à frente de seu tempo. É um estadista. Um líder visionário que usou sua trajetória de retirante nordestino e de operário para compreender as dores e necessidades dos milhões de brasileiros excluídos, que só precisavam de oportunidade. Uma pessoa como Lula, em qualquer outro país teria sido reconhecido como foi Mandela, pelas transformações realizadas com sua visão generosa de país, onde cabem todos, e onde a busca pela igualdade é princípio superior. Mas não, ele está sendo condenado exatamente por isto.

 

Confira outros destaques:

1. Quer ler sobre Lula no Nordeste? Compre um jornal europeu

O editor do Tijolaço, Fernando Brito, destacou que “a imprensa brasileira, ao menos a de repercussão nacional”, boicotou a caravana feita pelo ex-presidente Lula em vários estados do Nordeste. Nas raras reportagens que fez, os textos sequer uma vez trouxeram a palavra povo, que na reportagem do The Guardian surgiu nove vezes a expressão people, povo ou pessoa. Para ele, quem quiser se informar sobre o êxito da caravana deve buscar notícias na mídia internacional, uma vez que a imprensa nacional não deu espaço para “um povo que quer deixar de ser invisível, porque não o vêem”. Leia mais aqui.

2. Mensagem nas redes sociais espalha áudio falso de Lula sobre Palocci

Desde sexta-feira (08/09), circula pela internet uma mensagem contendo um áudio que simula uma conversa entre Lula e o ex-presidente nacional do PT, Rui Falcão. O tema do falso diálogo é o depoimento dado por Antonio Palocci ao juiz Sérgio Moro, na quarta-feira (06/09). A conversa, porém, nunca existiu e é mais uma das mentiras que têm sido divulgadas com o objetivo de colocar a opinião pública contra o ex-presidente, seu partido e as forças progressistas do país, estimulando o ódio e a intolerância. A farsa foi desmascarada até por veículos da mídia tradicional, que publicaram textos para desacreditar seu conteúdo. Leia mais aqui.

3. Governo Temer coloca à venda 90% de transportadora de gás natural da Petrobras

A Transportadora Associada de Gás (TAG), subsidiária que opera e administra gasodutos da Petrobras, entrou em processo de privatização. Pedro Parente, presidente da estatal brasileira de petróleo, anunciou que irá colocar no mercado 90% da participação que a empresa tem na gestão da transportadora. A TAG possui mais de 4,5 mil quilômetros de gasodutos, instalados nas regiões Norte e Nordeste e que transportam cerca de 75 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A empresa, criada em 2006, encerrou o ano passado com receita líquida de R$ 4,7 bilhões. Em texto divulgado em seu site, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), afirmou que, como a empresa é superavitária, “não há justificativas para a sua privatização”. Leia mais aqui.

4. Depoimento de Palocci: “são acusações falsas e sem provas contra Lula”

Em texto publicado nas redes sociais, a assessoria do ex-presidente Lula apontou ser contraditório o teor do depoimento de Antonio Palocci, prestado ao juiz Sergio Moro, com acusações ao ex-presidente. Isso porque o conteúdo do que disse Palocci é incoerente quando comparado aos depoimentos de outros réus, testemunhas e delatores da Odebrecht. “Palocci repete o papel de réu que não só desiste de se defender como, sem o compromisso de dizer a verdade, valida as acusações do Ministério Público para obter redução de pena”, destacou o texto. Na nota, além de explicações sobre os pontos levantados por Palocci, há um questionamento explícito do modus operandi da operação Lava Jata, que não respeita o devido processo legal. “Processos fora da devida jurisdição com juiz de notória parcialidade, sentenças que não apontam nem ato de corrupção nem benefício recebido, negociações secretas de delação com réus presos que mudam versões de depoimento em busca de acordos com o juízo”.

A assessoria de imprensa da presidenta eleita Dilma Rousseff também apresentou fatos que desmentem o depoimento de Palocci. “O senhor Antonio Palocci falta com a verdade quando aponta o envolvimento de Dilma Rousseff em supostas reuniões de governo para tratar de facilidades à empresa Odebrecht, seja durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou no primeiro governo dela. Tais encontros ou tratativas relatadas pelo ex-ministro jamais ocorreram. Relatos de repasses de propinas também são uma mentira”. Leia mais aqui.

5. O Brasil da traição, por Aldo Fornazieri

O que espanta no depoimento de Antônio Palocci ao juiz Moro não foi a traição que ele perpetrou contra Lula, mas o despudorado cinismo da traição – a total desfaçatez com que foi feita. O depoimento foi, praticamente, uma delação. Nestes termos, seguiu o padrão de outras delações. Todas revelam o apodrecimento do caráter moral da política brasileira e de boa parte dos políticos e de empresários que se relacionam com o mundo político e com o Estado. Palocci, a exemplo de tantos outros delatores, não revelou “verdades” a Moro como forma de arrependimento moral, como sinal de consciência penitente de alguém que havia cometido graves violações da lei, como alguém que vem a público confessar imperdoáveis pecados contra a sociedade, como alguém que sente uma dor moral insuportável e um sentimento angustiante de perda da honra pessoal. Nada disso está presente no depoimento de Palocci. O único objetivo do depoimento foi torpe: conseguir um benefício pessoal, buscando que lhe seja concedido o privilégio da delação premiada. Leia mais aqui.

6. Delações premiadas por quem e para quê?

É impressionante como a mídia e o judiciário ainda possuem um enorme poder de influência nas opiniões do nosso país. Chega ao ponto de confundir até aos militantes mais inseridos no dia a dia da política e da área de comunicação. A delação premiada do ex-Ministro Antônio Palocci é um excelente exemplo que ilustra bem essa afirmação. O ex-Ministro ficou preso quase dois anos. A sua condenação o deixaria pelo menos mais 20 na cadeia. Ele pediu vários habeas corpus nesse último período e todos foram negados. O Ministério Público afirmou que ele só seria solto e teria sua pena reduzida para menos de três anos em regime aberto (ou seja, só mais alguns meses e cumprida em casa) se fizesse uma delação “que colaborasse com o objetivo do trabalho do MP”. Ele tentou vários acordos e nenhum foi aceito, pois não continha nada contra o Lula e o PT. Ele topou fazer a delação que atendesse a esse propósito, mas não teria como provar. O MP aceitou. Isso também aconteceu com o Delcídio que afirmou, inclusive, coisas piores sobre Lula e Dilma. Como não havia provas, o STF inocentou-os um ano e meio depois da delação – agora comprovadamente mentirosa – do ex-Senador Delcídio do Amaral. O governo do PT teve erros? Sim. Muitos como em vários outros governos de esquerda pelo mundo. Mas teve também imensos e extraordinários acertos. Agora, nem os erros e nem os acertos são maiores do que essa perseguição maluca que transformou parte do judiciário e do Ministério Público em “instrumentos de atuação político-partidária” chegando ao impensável absurdo de simplesmente condenar sem provas. Leia mais aqui.

7. Joesley Batista se entrega à PF em São Paulo

O empresário Joesley Batista e o ex-executivo da J&F Ricardo Saud se entregaram ontem (10/09) à Polícia Federal (PF), em São Paulo. A informação foi confirmada pela assessoria da empresa. A prisão temporária foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O pedido de prisão foi feito depois de Janot concluir que ambos esconderam do Ministério Público fatos criminosos que deveriam ter sido contados nos depoimentos dados no processo de delação premiada da JBS e que envolveriam o ex-procurador da República Marcelo Miller. A conclusão de que os delatores omitiram informações passou a ser investigada pela PGR a partir de gravações entregues pelos próprios delatores como complemento do acordo. Leia mais aqui.

8. Janot conseguiu desagradar a todos, aponta Nassif

Em artigo sobre as “trapalhadas” de Rodrigo Janot, o jornalista Luis Nassif afirma que ele conseguiu desagradar gregos e troianos. “Em desespero, recorre ao Abre-te Sésamo, que abre as portas das cavernas da mídia, acelerando denúncias contra Lula, Dilma, Gleise e o PT. E as portas não se abriram. Avança com denúncias contra os senadores do PMDB. Parte, então, para o gesto de desespero: o pedido de prisão para Joesley Batista e o ex-colega Miller, testemunhas e parceiros ou das irregularidades processuais (procedimentos não observados no processo) ou mesmo ilícitos penais. Ele pede a prisão preventiva de pessoas que poderão incriminá-lo meramente indicando que houve participação sua na operação controlada em Temer, nas vantagens inéditas conferidas à JBS e seus controladores. Conseguiu, ao mesmo tempo, se indispor com o eixo Michel Temer-Gilmar Mendes, o PT, o PSDB e próprios setores da corporação, indignados com a deslealdade para com o colega Miller”. Leia mais aqui.

9. Assista a reportagens pela TVT

Na TVT, você assiste às reportagens e coberturas sobre os principais temas tratados pela mídia, com uma visão progressista e independente. Acesse pelo site, Facebook ou canal do Youtube da TVT.

 

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