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Ipea: Bolsa Família é barato, gera riqueza e movimenta a economia

Entre 2001 e 2012, a renda per capita entre os mais pobres cresceu 120,22%.

Cada R$ 1 investido no Bolsa Família gera um aumento de R$ 1,78 no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. A constatação é parte do estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta terça-feira (15), em Brasília. A pesquisa integra um livro sobre o programa social e coincide com os dez anos do Bolsa Família, lançado em 2003.

“O Programa Bolsa Família é, por larga margem, a transferência com maiores efeitos: na simulação, o PIB aumentaria R$ 1,78 para um choque marginal de R$ 1 no PBF (Programa Bolsa Família). Ou seja, se a oferta for perfeitamente elástica e os demais pressupostos forem respeitados, um gasto adicional de 1% do PIB no PBF se traduziria em aumento de 1,78% na atividade econômica”, diz o capítulo do livro “Programa Bolsa Família: uma década de inclusão e cidadania”, que será lançado no próximo dia 30.

De acordo com o estudo, o aumento da atividade econômica com o investimento no Bolsa Família é maior que o resultado de transferências previdenciárias e trabalhistas. O Beneficio da Prestação Continuada (BPC) e o seguro desemprego vem em seguida na lista, representando um acréscimo de R$ 1,19 e R$ 1,06 respectivamente para cada real gasto com os benefícios.

As transferências previdenciárias e as transferências do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) apresentam um impacto menor no PIB, com acréscimos menores que 1% para cada percentual igual investido.

Consumo das Famílias

O Bolsa Família, segundo o estudo, também causa um impacto positivo no consumo final da economia e das famílias. Cada R$ 1 transferido no programa gera um acréscimo de R$ 1,98 no consumo final e R$ 2,40 no indicador do consumo final das famílias.

De acordo com o presidente do Ipea, Marcelo Neri, o Bolsa Família é um programa barato e realiza um giro forte na economia. Com a transferência de renda para famílias pobres, aumenta o consumo e a produção de bens.

“O Bolsa Família é um programa pró-pobre e os pobres tem uma característica que é gastar a maior parte de sua riqueza. Cada real gasto com o Bolsa Família dá um giro muito maior na economia do que com qualquer outro programa”, disse, assegurando que o programa é o maior caminho para fazer a economia girar, “porque você dá um pouquinho e ele anda mais que os outros benefícios, em termos de consumo”, disse.

Entre 2001 e 2012, a renda per capita entre os mais pobres cresceu 120,22% no Brasil, uma variação quase cinco vezes maior que a faixa dos mais ricos, que subiu 26,41%. O percentual da extrema pobreza caiu 69,2% desde 2002, cumprindo em cinco anos, segundo o governo, a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir pela metade a faixa em 25 anos. “O Brasil fez 25 anos em cinco”, disse Marcelo Neri, presidente do Ipea.

Segundo os dados divulgados pelo Ipea, o Bolsa Família foi responsável por 28% da queda da extrema pobreza brasileira. Sem o programa a miséria subiria 36%, de acordo com o estudo.

Condicionalidades

Ainda de acordo com os dados, as condicionalidades do programa e os serviços do Brasil sem Miséria geraram, também, benefícios de longo prazo sobre educação e saúde. Diversos trabalhos já demonstraram que o Bolsa Família contribui para aumentar a frequência à escola e para diminuir a repetência. Também é certo que o programa teve impacto na redução da mortalidade em crianças menores de cinco anos e os índices de baixo peso ao nascer, além de aumentar a proporção de crianças com vacinas na idade correta.

As críticas de que a transferência de renda gerada pelo programa estimularia a preguiça também não se confirmaram e já foi provado que ele contribuiu para a redução dos índices de pobreza extrema.

Segundo o Ipea, “o programa tem o mérito de gerar grandes efeitos custando apenas 0,5% do PIB.

Veja a íntegra do estudo do Ipea

Veja os gráficos do estudo

Fonte: Site do PT