Em discurso no plenário da Câmara nesta segunda-feira (5), o relator da Comissão Especial da Reforma Política na Casa, deputado Henrique Fontana (PT-RS), defendeu a adoção do financiamento público e exclusivo de campanha e chamou a atenção do Parlamento para o perigo que representa à democracia “os crescentes custos financeiros envolvidos em cada eleição”. O relator destacou que “o principal defeito do atual sistema político brasileiro, é a influência exercida pelo financiamento privado nas eleições”.

“Isso está levando a uma lógica de risco crescente para a democracia brasileira. O poder econômico tem influência cada vez maior sobre a decisão das eleições. As histórias de vida, os programas e os projetos representados por diferentes candidatos perdem força nesse embate com o papel do poder econômico no processo eleitoral”, alertou Fontana.

Ainda de acordo com o parlamentar, a influência econômica também tem contribuído para inibir o aparecimento de novas lideranças políticas. “Milhares de pessoas que poderiam ter um excelente papel a desempenhar – como vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, ou mesmo senadores, governadores, e presidentes da República- afastam-se da política porque não têm como arcar com o financiamento de campanhas de altíssimo valor”, lamentou Henrique Fontana.

Pontos – Dentre as propostas contidas no texto da Reforma, Fontana apontou pontos considerados por ele fundamentais, sobre os quais pairam as maiores chances de consenso: O financiamento público exclusivo de campanha; o fim das coligações proporcionais e a coincidência de eleições. O parlamentar também inclui a adoção do voto em lista flexível, como outra mudança importante para o País.

Segundo o parlamentar, formar uma maioria em torno do novo sistema de votação é o maior desafio.

Também o deputado Vicentinho (PT-SP) ocupou a Tribuna para reclamar do financiamento privado, que estaria comprometendo as eleições. “De vez em quando ouvimos falar em deputado novato e, quando se vai olhar a trajetória do danado, lá estão grupos econômicos bancando a sua candidatura. Quando vamos brigar aqui por projetos de interesse da sociedade, se percebe que o interesse não é bem o social, mas do grupo econômico”, atestou.

De acordo com Vicentinho, “é muito melhor que o povo saiba que os deputados, vereadores, senadores, prefeitos, governadores e presidentes tenham compromisso com o povo do que com os grupos econômicos”.

Fonte: Site do PT