A baixa representatividade de negros no parlamento brasileiro sinaliza a necessidade urgente de uma reforma político-partidária no país. Essa foi à conclusão a que chegaram os debatedores que participaram da audiência pública que debateu o tema nesta terça-feira (6) na Câmara.

A reunião, proposta pelo Coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombos, deputado Luiz Alberto (PT-BA), contou com o apoio do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

“Para aumentarmos a representação de negros e negras nos parlamentos precisamos avançar em alguns pontos: uma profunda reforma política, reforma partidária, e a garantia de cotas”, destacou o parlamentar.

Em relação à reforma política, Luiz Alberto explicou que a adoção do financiamento público pode estimular a eleição de mais parlamentares negros. “E necessária uma profunda reforma politica que interfira no poder econômico que crescentemente tem decidido eleições. Para acabar com isso, o financiamento público é fundamental”, destacou.

O deputado Luiz Alberto também apontou a adoção das cotas como ferramenta para garantir maior presença de parlamentares negros nos parlamentos.

“Por isso apresentei a PEC 116/11, já experimentada em alguns países do mundo, que reserva cotas na composição dos parlamentos”, observou. Se adotada a proposta, de acordo com Luiz Alberto, “os partidos necessariamente vão lançar candidatos negros para ocuparem esses espaços”, apontou o parlamentar.

Sucesso- Ao justificar a necessidade da adoção das cotas, o parlamentar apontou que esse tipo de política de afirmação racial já é um sucesso em todo o país. “Acredito que o mesmo caminho que o Brasil vem tomando para forçar uma maior participação negra na sociedade, como é o caso das cotas raciais nas universidades, também vai permitir aumentar a representação negra nos parlamentos do País”, afirmou.

Também participaram do seminário a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros; o secretário da Igualdade Racial do DF, Veridiano Custódio; o professor doutor da Universidade Federal da Bahia, Cloves Oliveira; e o representante do INESC, José Antônio Moroni.

Fonte: Site do PT