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O Tráfico Transatlântico e a Acumulação de Capital

A ocupação e exploração da América foi um desdobramento da expansão marítimo-comercial européia, fruto da enorme acumulação primitiva de capital, elemento fundamental para o desenvolvimento do capitalismo. A colonização promovida nas Américas, inicialmente quase que só por Espanha e Portugal, deve ser entendida sob a lógica mercantilista, baseada no monopólio da metrópole sobre suas colônias.

O tráfico de escravos típico do escravismo colonial, iniciado em 1502, converteu-se num empreendimento tão lucrativo que se prolongou até 1870 e passou a ser o principal item da pauta de exportações na exploração do negócio das colônias, principalmente com os portugueses no Brasil. Ao longo deste tempo, segundo as estimativas mais aceitas, teriam sido traficados 12.700.000 escravos da África para as Américas, dos quais 10.000.000 teriam chegado vivos.

Num primeiro momento o trabalho do escravo era empregado nas grandes lavouras de exportação típica do negócio colonial. Basicamente cana de açúcar, algodão, fumo e especiarias. Estas lavouras se concentravam na costa atlântica tropical, do sul dos Estados Unidos até o nordeste do Brasil, passando pela costa atlântica da América Central e pelo Caribe. Tanto é que a viagem da África às Américas era chamada “fazer a passagem do meio”.

Assim sendo, foram estas áreas que receberam maior fluxo de africanos escravizados, principalmente Brasil e Caribe. Só para o Brasil estima-se um tráfico de aproximadamente 4.850.000 escravos africanos em quatro ciclos bem distintos, segundo Margarida Maria Toddoni Petter.

Século XVI – Ciclo da Guiné: Trouxe ao Brasil escravos sudaneses originários da África Ocidental situada ao norte da linha do Equador;

Século XVII – Ciclo do Congo e de Angola: Trazendo para o Brasil como escravos os negros Bantos;

Século XVIII – Ciclo da Costa da Mina: Trouxe novamente sudaneses. A partir de meados do século, esse ciclo se desdobra para dar origem a um ciclo propriamente “baiano” – o ciclo do Benim;

Século XIX – Chegam escravos de todas as regiões, com predominância de negros provenientes de Angola e Moçambique.

Claro que associadas aos ciclos estão as razões econômicas: cultivo da cana de açúcar e tabaco nos séculos XVI e XVII; exploração das minas de ouro e diamantes, como também cultivo de algodão e arroz, criação de gado para produção de charque e couro, e colheita de especiarias, tudo isso no século XVIII; cultivo do café no século XIX.

 

Tabela 1: Evolução da exportação de escravos da África

Século XVI 277.505
Século XVII 1.875.631
Século XVIII 6.494.619
Século XIX 3.873.582

 

 

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Tabela 2: Para onde foram estes escravos

Brasil 4.864.374
Caribe Britânico 2.318.252
América Espanhola 1.292.912
Caribe Francês 1.120.215
América Holandesa 444.728
América do Norte 388.746
Caribe Dinamarquês 108.998
Europa 17.722
África 155.569
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A diferença entre o número de escravos exportados e o de desembarcados representa o de escravos mortos na viagem. São 1.809.821 pessoas. Estes números são de Manolo Florentino em artigo para a revista História Viva ano VI número 66.