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Escravidão Indígena na América Espanhola

Na América do Sul e em grande parte das Américas do Norte e Central, de colonização espanhola, o modelo de trabalho compulsório escravizou outro atores, desta vez os povos indígenas. Quanto a escravidão dos africanos, ela ocorreu em toda América do Sul, além do Brasil, houve a presença significativa de africanos nas Guianas Inglesa, francesa e holandesa e na costa da Colômbia, Equador e Peru.

A exploração mineradora foi a atividade econômica mais importante na América espanhola, na verdade é a responsável pela efetiva colonização das terras por parte da Espanha já que a ocupação inicial se dera apenas no Caribe e América Central.

O ouro na região do México e a prata na região do Peru foram responsáveis pela política de exploração por parte da metrópole, que passou a exercer um controle mais rígido dos seus domínios. A exploração do trabalho indígena constituiu-se na base para a exploração da América espanhola, e utilizou duas formas diferentes: a “encomienda” e a “mita”. É importante lembrar que colonialismo e trabalho compulsório foram as bases da acumulação mercantilista.

“encomienda” consistia na exploração de um grupo ou comunidade indígena por um colono a partir de concessão das autoridades coloniais. Em troca este colono se obrigava a pagar tributos à metrópole e cristianizar os povos indígenas. Desta forma o colono espanhol ganhava dos dois lados, utilizava a mão de obra e ao mesmo tempo submetia sua religião, moral e costumes aos povos indígenas.

“mita” era outra forma de organizar o trabalho compulsório, só que criada pelos povos Incas quando da formação de seu império e depois utilizada pelos espanhóis contra os próprios Incas e outros povos. Nesta modalidade os homens eram sorteados e trabalhavam em média por um período de seis meses ao final do qual recebiam um pagamento ínfimo e retornavam à sua comunidade, que deveria enviar novo grupo de homens para o trabalho nas minas.

Como podemos observar o trabalho dos indígenas era diferente do trabalho do escravo africano, mas mesmo assim era um trabalho obrigatório. Seu estatuto social também era diverso, enquanto no modelo que Jacob Gorender define como “escravismo colonial” o escravo é propriedade do senhor, que pode dispor dela da forma que bem quiser, o índio no modelo de organização do trabalho imposto pelos espanhóis era teoricamente livre e trabalha um período determinado em troca de pagamento. Por isso o termo mais usado por pesquisadores para definir esta forma de trabalho é “trabalho compulsório”.

A colonização espanhola foi responsável pela destruição das sociedades indígenas em seus domínios, quer pela força das armas contra os que defendiam suas terras, quer pelo trabalho massivo, forçado e árduo nas minas a que impôs os povos indígenas ou ainda através do processo de aculturação promovido tanto pelo sistema de exploração do trabalho quanto por religiosos missionários católicos.

As descobertas de ouro e prata nas Américas, o extermínio, a escravização das populações indígenas, forçadas a trabalhar no interior das minas, o início da conquista e pilhagem das Índias Orientais e a transformação da África em um vasto campo de caçada lucrativa são os acontecimentos que marcam a era da produção capitalista. Esses processos são fatores fundamentais da acumulação primitiva.