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Conclusão: O Socialismo que Queremos

Conclusão: O Socialismo que Queremos

O socialismo que queremos se constrói a partir das experiências históricas dos nossos ancestrais, que antes de nos lutaram no Quilombo dos Palmares, na Conjuração Baiana ou a Revoltas dos Búzios, trabalhadores negros e brancos realizaram s greves por todo século XIX e XX, as lutas pela posse da terra e contra todas as formas de opressão, a exemplo, de João Cândido, Carlos Marighela, Santo Dias, Lélia González e Hamilton Cardoso que em sua trajetória nos legaram muitas conquistas.

Reiteramos aqui toda a cultura socialista comunalista africana apreendida com a vivencia inter-religiosa, manifestações culturais associativas e integrativas de diferentes grupos culturais, preservação quilombola da propriedade coletiva da terra e do o meio ambiente, preservação da cultura imaterial, territorialidade urbana comunitária, a convivência associativa pacifica, liderança familiar feminina, respeito à ancestralidade, forte capacidade de estabelecer alianças sócio-políticas, habilidade na negociação política, espírito desportivo e agregador. Um primeiro aspecto do socialismo que queremos se constrói com a resistência das lutas populares.

O socialismo que queremos tem a ver com a democracia social capaz de oferecer igualdade de condições e liberdade de participação para todos os grupos sociais, respeitando a diversidade étnica e cultural da nossa população. Para avançarmos nesta direção com passos firmes é necessário planejarmos, definirmos estratégias, metas e gestão publica capaz de promover a igualdade com recorte de gênero e raça. O PT definitivamente deve assumir o paradigma de que não basta tratar com igualdade os desiguais. Será necessário desenvolver políticas sociais afirmativas e ampliar recursos orçamentários e humanos para o sucesso da gestão publica de promoção da igualdade racial. UM segundo aspecto do socialismo que queremos se constrói com o aprofundamento da democracia para os segmentos específicos.

As políticas de ações afirmativas serão necessárias até que atinjamos uma democracia econômica capaz de superar a lógica perversa da produção, circulação e distribuição capitalista das mercadorias e garantirmos o sentido social e coletivo da distribuição dos bens na cidade e no campo. Uma democracia política que seja capaz de transformar o potencial dos diversos movimentos sociais em movimentos políticos na medida em que amplie o espaço poder para os movimentos sociais. Já dissemos anteriormente que a radicalidade da democracia é transformar o potencial do movimento social em poder político. Um terceiro aspecto do socialismo que queremos se constrói com o aprofundamento da democracia política para os segmentos específicos e a socialização do poder.

Nosso socialismo deverá ser inclusivo, plural contemplando as divergências, as diferenças e implementando a radicalidade democrática. Um partido com orientação socialista e verdadeiramente democrático deverá ter em seus órgãos de direção máxima a representação efetiva da sociedade. E, além disso, avançar para um modelo alternativamente possível, economicamente viável, ecologicamente sustentável e socialmente justo.

Vale assinalar que as ações afirmativas isoladas de uma política nacional de desenvolvimento não são estratégias suficientes para eliminar efeitos da discriminação e garantir a mobilidade social ascendente da população negra, mas uma dentre várias políticas, tais como profissionalização, geração de emprego e desenvolvimento, que também buscam atingir esse objetivo.

Cabe, portanto, ao PT e seus dirigentes, governantes, gestores, parlamentares e assessores, as lideranças nos movimentos sociais renovar compromissos de políticas inovadoras no campo de combate às desigualdades sócio raciais. Apesar de ainda estarmos longe da verdadeira convergência entre o PT e os anseios da população negra e mesmo entre os negros e negras petistas, não podemos deixar de destacar os avanços programáticos do Partido dos Trabalhadores para com a questão racial e à luta política contra o racismo. Ampliar o alcance e a qualidade da política pública, inclusive absorvendo novos direitos que surgem numa sociedade em mutação acelerada, é um desafio a ser partilhado entre o PT e os movimentos sociais, cuja proximidade e agenda comum são imprescindíveis.

A um Estado Democrático cabe a execução de uma política social e cultural que priorize programas e projetos setoriais que contribuam para reduzir o abismo existente entre os homens e mulheres negros e o conjunto da população de outras origens étnicas, fortalecendo a articulação das temáticas das categorias raça, gênero e classe como um propósito permanente e eixo estratégico na formulação e desenvolvimento de políticas públicas macro estruturantes, envolvendo todas as áreas e órgãos poder governamental. Só uma nova sociedade fundada na concepção do socialismo democrático, com a participação estratégica do Partido dos Trabalhadores, dos militantes negros e negras petistas, será capaz de libertar a sociedade brasileira da opressão de raça, gênero e classe.