A pesquisa Indígenas no Brasil, assim como outros estudos realizados pelo Núcleo de Opinião Pública*, indica que, espontaneamente, os portadores de vícios são o tipo de pessoa que a população brasileira menos gosta de encontrar (10%, quando apenas um tipo de pessoa é mencionado e 20%, quando citado mais de um), além das que possuem comportamento relacionado à fofoca ou falsidade (9% em resposta única e 16% quando mais de uma resposta). Os portadores de vícios são principalmente rejeitados nas regiões Centro-Oeste e Nordeste (29% e 26%, respectivamente em resposta múltipla), região que também apresenta maior antipatia por pessoas com características relacionadas à fofoca (28%), assim como entre os moradores das cidades de pequeno porte (22%).

Estas características, no entanto, não são aparentes, só sendo possíveis identificar a partir de um relacionamento mais próximo. Já uma aparência visual diferente, seja pelo uso de piercings, tatuagens, acessórios, maneira de vestir, corte de cabelos ou “estilos” específicos, causa estranhamento de 7% a 11% da população e 6% a 10% não gostam de encontrar pessoas com características sócio-econômicas diferentes das suas. A população residente na região Norte é a que indica maior rejeição às pessoas com aparência visual diferente, seja em resposta única (17%) ou em resposta múltipla (23%). Pessoas que cometeram algum delito são indesejáveis por 5% a 10% da população, sendo mais expressiva na região Nordeste (10% a 17%).

Apenas 2% da população dizem espontaneamente e como única resposta, não gostar de encontrar pessoas pertencentes a algum grupo étnico e mesmo ao citar mais de uma resposta, a antipatia aos grupos étnicos não ultrapassa 3%.

Cerca de um terço dos entrevistados afirma que não há nenhum tipo de pessoa que não gosta de encontrar (31%), incidência maior entre a população das regiões Sul e Sudeste (48% e 38%, na rodem) e entre os moradores de municípios onde existem territórios indígenas (38%).

Foi apresentada uma relação de grupos sociais para que os entrevistados dissessem o que sentem ao encontrar pessoas de cada tipo, se ódio ou repulsa; antipatia; indiferença; satisfação ou dó, pena. Dentre os grupos testados, o que apresenta maior índice de rejeição é o de pessoas que não acreditam em Deus, de quem 15% da população sente ódio ou repulsa e 24%, antipatia. Os usuários de drogas aparecem em seguida, com 13% de repulsa ou ódio e 25% de antipatia. Moradores das regiões Norte e Nordeste são os que mais rejeitam as pessoas que dizem não acreditar em Deus (51% e 48%, respectivamente). É também na Região Norte que se nota maior rejeição aos usuários de drogas (56%, contra 36% no total).

Dentre os grupos étnicos apresentados, o que sofre maior rejeição é o de ciganos (30%, sendo que 7% sente ódio ou repulsa e 23% antipatia); judeus e muçulmanos são rejeitados igualmente por 11% da população (3% sentem ódio e 8% antipatia por ambos os grupos), 5% rejeitam os estrangeiros em geral (1% sente ódio e 4%, antipatia).

O grupo indígena é rejeitado por 3% da população, mesmo índice de rejeição apresentado aos asiáticos. Em ambos os casos, a antipatia é maior (2%) que o ódio (1%). Dentre os grupos étnicos estimulados, a menor incidência de rejeição recai sobre os negros (1%) e 2% rejeitam os brancos, nos dois casos o sentimento que predomina é a antipatia.

Os entrevistados da região Centro-Oeste e das grandes cidades são os que mais declaram rejeição pelos ciganos, enquanto os da região Norte são os que mais rejeitam os indígenas (7%), muito embora seja nesta mesma região onde mais se declara o sentimento de satisfação ao encontrarem os indígenas (47%, contra 35% no total), assim como nos municípios de pequeno porte (40%).

Perante o conjunto de grupos de pessoas apresentados, os usuários de drogas sobressai como o grupo que a população menos gosta de encontrar, rejeitados por cerca de um terço da amostra (30%), seguidos por gente que não acredita em Deus (22%), estes dois grupos com grande diferença em relação aos seguintes: ciganos, que mereceu apenas 12% de menções e ex-presidiários (10%). ´

Os indígenas foram mencionados como o principal grupo que não se deseja encontrar por apenas 1% e uma parcela significativa (15%) disse que não rejeita nenhum grupo.

Os usuários de drogas são indesejáveis, principalmente para os residentes na região Centro-Oeste (36%). Já o índice de rejeição às pessoas que não acreditam em Deus não difere muito nas diferentes regiões brasileiras ou tipos de cidades. Ciganos são principalmente rejeitados na região Sul (20%), região em que também sobressai a taxa dos que não manifestam rejeição por nenhum grupo (26%). Na região Norte, a rejeição por ex-presidiários é a bastante acentuada (24%).

O ranking permanece o mesmo, quando mais de um grupo é considerado como indesejável, apenas com taxas mais elevadas: 42% para usuários de drogas, 31% para gente que não acredita em deus; 22% para ex-presidiários e 18% para ciganos. Mesmo em menção múltipla, os indígenas mantém apenas 1% de rejeição.

*Racismo no Brasil, Idosos no Brasil, Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil

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Fonte: Portal FPA

Foto: Ritual de iniciação de adolescentes, julho 2012, Terra Indígena Xavante São Marcos/ Crédito: Rafael Franco Coelho – Projeto Aldeia Digital