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O que controla a inflação

A maioria dos analistas acredita que o Banco Central controla a inflação com a política de metas de inflação e a taxa de juros Selic como instrumentos para isso. No entanto, em reunião de 6 de junho, pela primeira vez o voto majoritário do Copom considerou a oferta de produtos importados no câmbio atual como sendo o fator preponderante de controle inflacionário.

O que faz o dólar perder valor perante o real, causando o aumento em nossas importações, que impedem as remarcações de preços das empresas?

Segundo alguns, o nível da taxa de câmbio deve-se à farta liquidez internacional, aos fundamentos mais sólidos da economia, ao superávit das contas externas, ao investimento direto líquido de estrangeiros e aos empréstimos externos tomados pelas empresas a taxas de juros cada vez mais baixas, por serem beneficiadas pela queda do risco país.

Desde 2004 ocorre anualmente nas contas externas uma sobra de US$ 30 bilhões em razão do saldo das transações correntes e do direto investimento líquido de estrangeiros. Esse saldo independe da Selic e está garantido pela forte expansão das exportações devido a vários fatores que deverão permanecer por um bom período: nível elevado do comércio internacional, preço e demanda elevados das commodities, exploração mais intensa dos mercados emergentes, agregação de valor aos produtos exportados e posição estratégica na produção de alimentos e biocombustíveis.

Outros argumentam que a causa principal da apreciação cambial está na alta taxa Selic, que proporciona aplicações financeiras mais rentáveis do que em outros países, injetando dólares em excesso na economia.

Ambos os argumentos são válidos e não excludentes. O fato é que o Banco Central abandonou há mais de um ano a política de câmbio flutuante,  efetuando compras maciças de dólares para evitar ainda mais a valorização do real. Apesar disso, da queda contínua da Selic desde setembro de 2005 e de outras medidas visando a reduzir a oferta de dólares, o real vai se valorizando a cada mês e crescem vigorosamente as reservas internacionais.

A consequência natural do crescimento dessas reservas é a queda contínua do risco país e a atração de mais dólares. A não ser que haja uma reviravolta no mercado americano com a elevação das taxas de juros, esse processo tende a continuar valorizando o real e antecipando a obtenção do grau de investimento, que atrairá ainda mais dólares ao país.

A política econômica do governo é aumentar a demanda para gerar o crescimento econômico, usando para isso reajustes reais no salário mínimo, crédito consignado e expansão dos programas sociais. Isso é o que a diferencia da praticada por governos anteriores.

Esse aumento da demanda vem sendo atendido pelos produtos importados, além da maior oferta da produção local, que não quer perder mercado. E vem impedindo a remarcação de preços, preservando o poder aquisitivo dos consumidores e gerando expressivo aumento do consumo e do emprego.

Essa situação abre espaço para quedas contínuas da Selic em 0,50 ponto percentual ou mais a cada reunião do Copom, sem nenhum risco inflacionário. Menores taxas de juros estimulam produção e consumo e, portanto, maior crescimento econômico. Por outro lado, caem as despesas com juros do governo federal, e a relação dívida sobre PIB e contas públicas se aproximam do equilíbrio. O mercado já percebeu isso, o que torna mais atraente os investimentos em ações, no setor imobiliário e na produção.

As perspectivas para os próximos anos são de forte crescimento nas importações e taxas de câmbio decrescentes. Assim, tudo indica que o principal instrumento de controle inflacionário esteja na taxa de câmbio, que tende a se apreciar com maior ou menor velocidade, dependendo do volume de compras de dólares pelo Banco Central, que procura mantê-lo em patamar compatível com a inflação que ele deseja, e não com a meta de inflação de 4,5% ao ano.

Amir Khair é mestre em Finanças Públicas pela FGV e consultor

– See more at: http://www.teoriaedebate.org.br/colunas/economia/o-que-controla-inflacao#sthash.v1GCr9sJ.dpuf

A maioria dos analistas acredita que o Banco Central controla a inflação com a política de metas de inflação e a taxa de juros Selic como instrumentos para isso. No entanto, em reunião de 6 de junho, pela primeira vez o voto majoritário do Copom considerou a oferta de produtos importados no câmbio atual como sendo o fator preponderante de controle inflacionário.

O que faz o dólar perder valor perante o real, causando o aumento em nossas importações, que impedem as remarcações de preços das empresas?

Segundo alguns, o nível da taxa de câmbio deve-se à farta liquidez internacional, aos fundamentos mais sólidos da economia, ao superávit das contas externas, ao investimento direto líquido de estrangeiros e aos empréstimos externos tomados pelas empresas a taxas de juros cada vez mais baixas, por serem beneficiadas pela queda do risco país.

Desde 2004 ocorre anualmente nas contas externas uma sobra de US$ 30 bilhões em razão do saldo das transações correntes e do direto investimento líquido de estrangeiros. Esse saldo independe da Selic e está garantido pela forte expansão das exportações devido a vários fatores que deverão permanecer por um bom período: nível elevado do comércio internacional, preço e demanda elevados das commodities, exploração mais intensa dos mercados emergentes, agregação de valor aos produtos exportados e posição estratégica na produção de alimentos e biocombustíveis.

Outros argumentam que a causa principal da apreciação cambial está na alta taxa Selic, que proporciona aplicações financeiras mais rentáveis do que em outros países, injetando dólares em excesso na economia.

Ambos os argumentos são válidos e não excludentes. O fato é que o Banco Central abandonou há mais de um ano a política de câmbio flutuante,  efetuando compras maciças de dólares para evitar ainda mais a valorização do real. Apesar disso, da queda contínua da Selic desde setembro de 2005 e de outras medidas visando a reduzir a oferta de dólares, o real vai se valorizando a cada mês e crescem vigorosamente as reservas internacionais.

A consequência natural do crescimento dessas reservas é a queda contínua do risco país e a atração de mais dólares. A não ser que haja uma reviravolta no mercado americano com a elevação das taxas de juros, esse processo tende a continuar valorizando o real e antecipando a obtenção do grau de investimento, que atrairá ainda mais dólares ao país.

A política econômica do governo é aumentar a demanda para gerar o crescimento econômico, usando para isso reajustes reais no salário mínimo, crédito consignado e expansão dos programas sociais. Isso é o que a diferencia da praticada por governos anteriores.

Esse aumento da demanda vem sendo atendido pelos produtos importados, além da maior oferta da produção local, que não quer perder mercado. E vem impedindo a remarcação de preços, preservando o poder aquisitivo dos consumidores e gerando expressivo aumento do consumo e do emprego.

Essa situação abre espaço para quedas contínuas da Selic em 0,50 ponto percentual ou mais a cada reunião do Copom, sem nenhum risco inflacionário. Menores taxas de juros estimulam produção e consumo e, portanto, maior crescimento econômico. Por outro lado, caem as despesas com juros do governo federal, e a relação dívida sobre PIB e contas públicas se aproximam do equilíbrio. O mercado já percebeu isso, o que torna mais atraente os investimentos em ações, no setor imobiliário e na produção.

As perspectivas para os próximos anos são de forte crescimento nas importações e taxas de câmbio decrescentes. Assim, tudo indica que o principal instrumento de controle inflacionário esteja na taxa de câmbio, que tende a se apreciar com maior ou menor velocidade, dependendo do volume de compras de dólares pelo Banco Central, que procura mantê-lo em patamar compatível com a inflação que ele deseja, e não com a meta de inflação de 4,5% ao ano.

Amir Khair é mestre em Finanças Públicas pela FGV e consultor

– See more at: http://www.teoriaedebate.org.br/colunas/economia/o-que-controla-inflacao#sthash.v1GCr9sJ.dpuf

 
Publicado em 01 julho 2007
     
Por Amir Khair
 
A maioria dos analistas acredita que o Banco Central controla a inflação com a política de metas de inflação e a taxa de juros Selic como instrumentos para isso. No entanto, em reunião de 6 de junho, pela primeira vez o voto majoritário do Copom considerou a oferta de produtos importados no câmbio atual como sendo o fator preponderante de controle inflacionário.
 
O que faz o dólar perder valor perante o real, causando o aumento em nossas importações, que impedem as remarcações de preços das empresas?
 
Segundo alguns, o nível da taxa de câmbio deve-se à farta liquidez internacional, aos fundamentos mais sólidos da economia, ao superávit das contas externas, ao investimento direto líquido de estrangeiros e aos empréstimos externos tomados pelas empresas a taxas de juros cada vez mais baixas, por serem beneficiadas pela queda do risco país.
 
Desde 2004 ocorre anualmente nas contas externas uma sobra de US$ 30 bilhões em razão do saldo das transações correntes e do direto investimento líquido de estrangeiros. Esse saldo independe da Selic e está garantido pela forte expansão das exportações devido a vários fatores que deverão permanecer por um bom período: nível elevado do comércio internacional, preço e demanda elevados das commodities, exploração mais intensa dos mercados emergentes, agregação de valor aos produtos exportados e posição estratégica na produção de alimentos e biocombustíveis.
 
Outros argumentam que a causa principal da apreciação cambial está na alta taxa Selic, que proporciona aplicações financeiras mais rentáveis do que em outros países, injetando dólares em excesso na economia.
 
Ambos os argumentos são válidos e não excludentes. O fato é que o Banco Central abandonou há mais de um ano a política de câmbio flutuante,  efetuando compras maciças de dólares para evitar ainda mais a valorização do real. Apesar disso, da queda contínua da Selic desde setembro de 2005 e de outras medidas visando a reduzir a oferta de dólares, o real vai se valorizando a cada mês e crescem vigorosamente as reservas internacionais.
 
A consequência natural do crescimento dessas reservas é a queda contínua do risco país e a atração de mais dólares. A não ser que haja uma reviravolta no mercado americano com a elevação das taxas de juros, esse processo tende a continuar valorizando o real e antecipando a obtenção do grau de investimento, que atrairá ainda mais dólares ao país.
 
A política econômica do governo é aumentar a demanda para gerar o crescimento econômico, usando para isso reajustes reais no salário mínimo, crédito consignado e expansão dos programas sociais. Isso é o que a diferencia da praticada por governos anteriores.
 
Esse aumento da demanda vem sendo atendido pelos produtos importados, além da maior oferta da produção local, que não quer perder mercado. E vem impedindo a remarcação de preços, preservando o poder aquisitivo dos consumidores e gerando expressivo aumento do consumo e do emprego.
 
Essa situação abre espaço para quedas contínuas da Selic em 0,50 ponto percentual ou mais a cada reunião do Copom, sem nenhum risco inflacionário. Menores taxas de juros estimulam produção e consumo e, portanto, maior crescimento econômico. Por outro lado, caem as despesas com juros do governo federal, e a relação dívida sobre PIB e contas públicas se aproximam do equilíbrio. O mercado já percebeu isso, o que torna mais atraente os investimentos em ações, no setor imobiliário e na produção.
 
As perspectivas para os próximos anos são de forte crescimento nas importações e taxas de câmbio decrescentes. Assim, tudo indica que o principal instrumento de controle inflacionário esteja na taxa de câmbio, que tende a se apreciar com maior ou menor velocidade, dependendo do volume de compras de dólares pelo Banco Central, que procura mantê-lo em patamar compatível com a inflação que ele deseja, e não com a meta de inflação de 4,5% ao ano.
 
Amir Khair é mestre em Finanças Públicas pela FGV e consultor