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Desafios do cenário macroeconômico brasileiro

Fonte: Revista Teoria e Debate

Publicado em 13 de outubro de 2011.

Por Jorge Mattoso

 

Depois do baixo crescimento econômico brasileiro das duas últimas décadas do século 20, os anos 2000 mostraram uma extraordinária vitalidade da economia. O Brasil conseguiu finalmente se acoplar ao desempenho mundial, aliando, pela primeira vez, crescimento econômico e redução da pobreza e da desigualdade.
    
O crescimento do PIB foi de 3,5% ao ano entre 2003 e 2006, 4,6% entre 2006 e 2010 e alcançou 7,5% em 2010. Ao mesmo tempo, em oito anos caiu sistematicamente o Índice de Gini (medida da desigualdade) e mais de 30 milhões de brasileiros deixaram a pobreza e ingressaram na classe C.

Isso só foi possível graças à compreensão adotada pelo governo federal relativa a geração e sustentação do desenvolvimento econômico e a adoção de inovadoras medidas. Após a posse do primeiro governo Lula houve o combate ao ataque especulativo iniciado em 2002, com duras medidas visando recuperar o controle da situação macroeconômica: elevação dos juros, controle fiscal, minirreformas tributária e previdenciária. Mas felizmente não ficamos somente nisso, ainda que alguns o desejassem. Se assim fosse teríamos apenas repetido o desempenho macroeconômico pós-1994, com controle inflacionário, mas com crescimento pífio e acentuada vulnerabilidade externa.
 
Em paralelo às políticas macroeconômicas stricto sensu foram introduzidas modificações importantes em um conjunto de outras políticas e ações públicas. Na política externa, deu-se prioridade à América do Sul, foram valorizados os Brics e os países do Sul, reconhecidos o multilateralismo e as novas dimensões mundiais e efetivou-se a participação criativa do país na União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e no G-20. Passou-se também a dar maior importância ao mercado interno, com apoio à expansão do crédito (inicialmente por meio do consignado), ao combate à pobreza e à valorização do salário mínimo. E, a partir de 2006, consolidaram-se mudanças nas políticas econômica e de desenvolvimento, por meio da redução da vulnerabilidade externa e elevação das reservas internacionais, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da ampliação da capacidade de formulação, planejamento e gestão do Estado e de estímulos monetário e fiscal temporários, com a aceleração sustentada do crescimento econômico.

Uma grande crise internacional

Mas, a partir de 2008, uma das mais graves crises econômico-financeiras abateu-se sobre a economia mundial, iniciando-se com a crise do subprime nos EUA, que levou pânico às instituições financeiras, consequente “evaporação do crédito” e uma intensa e profunda queda da produção  industrial e do comércio em escala mundial.

O Brasil, no entanto, foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a abandoná-la, graças à menor vulnerabilidade externa (crescentes reservas internacionais), à solidez das contas públicas e à baixa contaminação das instituições financeiras relativamente aos ativos “tóxicos”. Também ajudaram algumas características ainda “ruins” de nossa economia, tais como os elevados compulsórios e taxas de juros ou o ponto tardio no ciclo econômico mundial, devidos às “décadas perdidas”.

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