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Em Pauta Conjuntura: Fora Temer e Diretas Já tomam ruas de São Paulo

A jornada de mobilizações contra o golpe e pela eleição direta para presidência do Brasil aumenta a cada dia. Desde que o Senado sinalizou que votaria pelo impedimento da presidenta Dilma Rousseff, apesar da inexistência de crime de responsabilidade, cresce o número de manifestantes. Em São Paulo, os atos têm acontecido diariamente desde 29 de agosto.

O ato “Ocupe a Paulista, Fora, Temer e Diretas Já” reuniu, ontem (11), aproximadamente, 60 mil pessoas em São Paulo, segundo as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, organizadoras do evento. As pessoas se concentraram na Avenida Paulista, onde parlamentares e lideranças de movimentos sociais e sindical fizeram discursos em um caminhão de som, e depois seguiram em caminhada em direção ao Parque do Ibirapuera, a dois quilômetros de distância. A dispersão começou por volta das 19h, quando o ato político deu lugar aos shows da cantora Tiê e da banda Teatro Mágico.

No ato, o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, cobrou a saída de Michel Temer e de todos os que defendem retrocessos e políticas que são para retirar direitos. “Derrotar o golpe e os projetos golpistas são necessidades: reforma da Previdência, PEC 241, a trabalhista”, disse, reforçando a todos que, no próximo dia 22, será realizado um grande ato nacional contra o governo Temer e suas propostas: “Vamos parar o Brasil”, avisou.

Profissionais da Mídia Ninja e Jornalistas Livres registraram eventos de repressão policial na manifestação em São Paulo contra o governo Temer. Por volta das 17h50, o militante do MTST Gabriel Simeone foi espancando pela PM, segundo a Mídia Ninja. De acordo com Jornalistas Livres, a PM encurralou alguns jovens contra um gradil e começou a revistá-los.  A Agência Brasil confirmou a detenção de três pessoas. Descontrolados, os policiais atacavam quaisquer pessoas em volta. Inclusive a imprensa. Detiveram a menina porque ela ousou perguntar “Por que a violência?”… O soldado respondeu-lhe: “Porque sim”. Quando ela retrucou: “Porque sim não é resposta!”, o PM a deteve.

Em entrevista ao El País, o senador Lindbergh Farias afirmou que os movimentos sociais só deixarão as ruas após eleições diretas. “A bandeira das ‘Diretas Já’ vem com toda força porque Temer não tem legitimidade para governar este país. Quer projeto que retira direito de trabalhadores, reforma trabalhista, congelar custo de educação e saúde, reforma previdenciária. São Paulo está virando centro de resistência, [e a ideia é] fazer isso irradiar por todo o país. Estou aqui para nos posicionarmos também contra a postura do Governo de São Paulo contra as manifestações. Não vamos admitir criminalizar manifestações neste país. Nós preparamos uma representação à Corte de Direitos Humanos(CIDH) da OEA contra o Governo de São Paulo pelo que eles estão fazendo. Eles querem que as pessoas fiquem assustadas. Nós não vamos ficar, vamos para rua para colocar Temer para fora do Palácio do Planalto”, disse ele.

O presidente do PT, Rui Falcão, aproveitou o ato contra Michel Temer na Avenida Paulista para defender as candidaturas de esquerda à prefeitura de São Paulo. Segundo ele, não basta derrotar os golpistas nas ruas, é preciso ganhar nas urnas também.

A próxima manifestação em São Paulo contra o governo Temer e pelas Diretas Já acontecerá no domingo que vem, 18, também na Avenida Paulista.

Confira outros destaques:

1. Em BH, Levante Popular da Juventude leva 20 mil às ruas

Cerca de 20 mil pessoas saíram na sexta-feira (9) às ruas em Belo Horizonte pedindo mais democracia e a saída do presidente golpista Michel Temer. O ato passou pelas principais ruas do centro da cidade e reuniu jovens do Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude. Na terça-feira, o ex-presidente Lula esteve no acampamento e discursou para os 7 mil jovens presentes sobre a importância da mobilização da juventude. Leia mais aqui.

2. Sessão que pode cassar Eduardo Cunha nesta segunda será uma ‘guerra regimental’

A sessão da Câmara dos Deputados que pode cassar o mandato do deputado Eduardo Cunha, esperada para hoje (12), será uma “guerra regimental”. Como é de conhecimento público, o ex-presidente da Casa conhece o regimento como poucos. São esperadas manobras, questões de ordem e todo tipo de ação possível dos aliados de Cunha. É aguardado também que o ainda deputado recorra à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) tentando “melar” a tramitação da cassação no plenário. Outra manobra seria a tentativa de aliados de conseguirem uma pena “branda”, que mantenha seus direitos políticos. Leia mais aqui. Você pode acompanhar a sessão, ao vivo, pela TVT. Acesse aqui.

3. No dia D, Cunha avisa: quem julga, será julgado

No dia em que poderá ser cassado, perder o mandato, o foro privilegiado e os direitos políticos, o deputado afastado Eduardo Cunha mandou um recado que pode soar como ameaça a seus pares: “Se cassarem um ex-presidente da Câmara com uma situação absurda, tendo um processo judicial em curso, amanhã não poderão cassar qualquer um?”. Cunha disse ainda que “não vai sobrar nenhum”. Estima-se que ele tenha ajudado financeiramente mais de 200 deputados. Leia mais aqui.

4. Pedido de impeachment de Gilmar Mendes será protocolado terça-feira

Os juristas Celso Antônio Bandeira de Mello, Fábio Konder Comparato, Sérgio Sérvulo da Cunha, Eny Raymundo Moreira, Roberto Amaral e Álvaro Augusto Ribeiro são autores do pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes, do STF. O documento será protocolado terça-feira (13), às 15h, no Senado. O processo foi motivado pelo sentimento que “não esconde” de “simpatia” ao PSDB. “No exercício de suas funções judicantes, tem-se mostrado extremamente leniente com relação a casos de interesse do PSDB e de seus filiados, tanto quanto extremamente rigoroso no julgamento de casos de interesse do Partido dos Trabalhadores e de seus filiados, não escondendo sua simpatia por aqueles e sua ojeriza por estes”, diz o documento. Leia mais aqui.

5. Cai Osório, mais um ministro golpista, por ter se interessado demais com colegas citados na Lava Jato

Depois de ter chegado às redes sociais, na sexta-feira (09), que o advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, havia sido demitido por ordem do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, ele reagiu, dizendo que a única pessoa que poderia demiti-lo seria o próprio chefe do governo golpista, Michel Temer. O motivo da queda de braço entre Padilha, tido como o ministro mais poderoso, e o chefe da Advocacia-Geral da União, segundo vazou, foi ainda mais bizarro. Osório ganhou o bilhete-azul porque se interessou demais pelos colegas ministros acusados de envolvimento no esquema de distribuição de propinas da Lava Jato, particularmente do secretário da Presidência, Geddel de Lima, e do próprio Eliseu Padilha, além do usurpador maior, Michel Temer. Leia mais aqui.

6. Senado aprova MP que reduz ministérios e extingue pastas de áreas sociais

Sob obstrução dos senadores contrários ao impeachment de Dilma, o plenário do Senado aprovou, no dia 8, a MP 726, que trata da reforma administrativa do governo. Os senadores petistas e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) tentaram barrar a votação da medida e, assim, provocar sua perda de validade por decurso de prazo, mas a base aliada do governo Temer conseguiu manter o quórum e garantir a votação. A proposta transforma, incorpora, cria e extingue ministérios, que passaram a ser 24. Leia mais aqui.

7. Alterado, Temer diz que não deu um golpe, apenas quer governar

Em entrevista ao jornal O Globo, Michel Temer (PMDB) disse que o “golpe não pegou”. Aliás, pegou como “movimento político” daqueles que apoiam o governo destituído. “Como movimento político é bem pensado até”, disse. Com tom de voz alterado, Temer bateu na mesa “seguidas vezes” e exclamou: “Eu quero que explique o golpe. Eu quero debater o golpe, quero que tenham argumentos. Porque o que está infernal no Brasil é essa irascibilidade. Isso está infernizando o país. Me digam qual é o golpe? Eu só quero governar. Para mim, é honroso (assumir a Presidência). Não é questão de vida ou morte”. Leia mais aqui.

8. A desestabilização, o golpe e a ‘sociedade civil gelatinosa’ do golpismo

O golpe parlamentar efetivado em 31 de agosto foi o resultado de diversos fatores conjugados voltados à desestabilização política, institucional, social, informativa, ideológica e moral do Governo Dilma. De forma articulada, num verdadeiro consórcio desestabilizador com vistas ao golpe, que foi se formando ao longo dos governos petistas e se avolumando desde 2013, mas particularmente desde a reeleição da presidenta Dilma, a oposição formou uma grande coalizão. Mesmo sem um centro articulador vertical de todas as peças, a Operação Lava Jato em articulação com a mídia, empresários e think tanks conseguiu ter capacidade de direção que deu musculatura ao golpe parlamentar formal, encurralando setores progressistas nas ruas e nas instituições. Leia mais aqui.