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Em Pauta Conjuntura: Especial Fidel Castro

Imagem extraída da página Jornalistas Livres no Facebook

Faleceu, na noite de sexta-feira (25), o líder da revolução cubana Fidel Castro. Nas primeiras 24 horas vividas por cubanas e cubanos em Havana desde o anúncio da morte do comandante Fidel, as ruas do centro velho da cidade emitiam um raro som para quem já esteve na capital de Cuba: o som do silêncio. A vivacidade das vielas, trazida pela música sempre presente, pelas conversas em tom de voz bem audível e pelas risadas altas, foi encoberta por um respeitoso silêncio à memória do maior líder revolucionário que o mundo já conheceu. Não é que o espírito alegre e vibrante de cubanas e cubanos tenha se esvaziado com a partida de Fidel. Basta puxar um pouco de conversa que logo se vê que essa chama apenas reduziu um pouco a intensidade de seu lume. É como se estivessem em compasso de espera, aguardando o momento mais propício para relembrar ao mundo que Cuba deve muito a Fidel. Especialmente a força da ideia de que a construção de um país que se sustenta em um modelo singular de sociedade e valorização da vida não se encerra em um homem só.

No Brasil, políticos, partidos e personalidades lamentaram a morte do líder cubano e lembraram de sua importância não só para Cuba, mas para a América Latina e o mundo. A presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) lamentou a morte do líder: “Sonhadores e militantes progressistas, todos que lutamos por justiça social e por um mundo menos desigual, acordamos tristes neste sábado, 26 de novembro. A morte do comandante Fidel Castro, líder da revolução cubana e uma das mais influentes expressões políticas do século 20, é motivo de luto e dor. Fidel foi um dos mais importantes políticos contemporâneos e um visionário que acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa, sem fome nem exploração, numa América Latina unida e forte”.

O presidente do PT, Rui Falcão, e a Secretária de Relações Internacionais,  Mônica Valente, também emitiram nota de pesar: “Fidel foi um dos grandes personagens políticos da América Latina e do mundo do nosso tempo. A Revolução Cubana que conduziu junto com outros dirigentes de seu país foi uma realização do direito à autodeterminação dos povos, da busca da igualdade e justiça social e de defesa intransigente de seu país diante de ingerências externas, além de inspiração para a luta de muitos outros revolucionários da América Latina. Fidel foi também um amigo do Brasil e do PT. Junto com Lula foi idealizador do Foro de São Paulo. Nos solidarizamos, neste momento de perda e tristeza, com seus familiares, companheiros de partido e, sobretudo, com o povo cubano”.

O ex-presidente Lula lamentou o falecimento daquele que chamou de “o maior de todos os latino-americanos”: “Morreu ontem o maior de todos os latino-americanos, o comandante em chefe da revolução cubana, meu amigo e companheiro Fidel Castro Ruz. Para os povos de nosso continente e os trabalhadores dos países mais pobres, especialmente para os homens e mulheres de minha geração, Fidel foi sempre uma voz de luta e esperança. Seu espírito combativo e solidário animou sonhos de liberdade, soberania e igualdade. Nos piores momentos, quando ditaduras dominavam as principais nações de nossa região, a bravura de Fidel Castro e o exemplo da revolução cubana inspiravam os que resistiam à tirania. Eu o conheci pessoalmente em julho de 1980, em Manágua, durante as comemorações do primeiro aniversário da revolução sandinista. Mantivemos, desde então, um relacionamento afetuoso e intenso, baseado na busca de caminhos para a emancipação de nossos povos”.

A Bancada do PT no Senado lamentou profundamente a morte do líder Fidel Castro: “Reconhecemos o gigantesco legado de Fidel na luta por um mundo mais digno, humano, justo e solidário. Fidel transformou uma Cuba que, sob o tacão do terrível ditador Fulgêncio Batista, era, no dizer de Arthur M. Schlesinger, Jr, assessor do presidente Kennedy, um ‘grande cassino e prostíbulo’, num país de verdade. Pequeno, mas soberano. Pobre, mas justo. Um país digno. Ao longo de mais de meio século, essa pequena ilha situada a pouco mais de 100 quilômetros do gigante EUA resistiu a tudo: invasões, tentativas de assassinato de seu líder, pressões de toda ordem, um absurdo embargo comercial ilegal e campanhas contínuas de mentiras. Ao longo de mais de meio século, Cuba transformou-se, apesar de tudo isso, no país com os melhores indicadores sociais da América Latina. Um país no qual não há nenhuma criança sem escola ou que durma nas ruas. Esse é o grande legado de Fidel, que disse que a humanidade devia ser uma grande família solidária, não uma ‘selva capitalista’ de homens tacanhos”.

Ao longo de sua vida, Fidel Castro fez algumas visitas ao Brasil, entre conferências internacionais, escalas técnicas e cerimônias de posses presidenciais. A primeira delas foi em 1959. Era abril e fazia só quatro meses que Fidel assumira o cargo de premiê do novo regime revolucionário de Cuba, após o triunfo dos guerrilheiros de Sierra Maestra sobre o regime ditatorial de Fulgêncio Batista (1952-1958). O governo brasileiro, liderado por Juscelino Kubitschek (1956-1961), reconheceu o novo governo cubano e, em agradecimento, Fidel pisou pela primeira vez no Brasil. Conheceu a capital Brasília, em obras, almoçou com Juscelino e teve encontros com a imprensa, militantes e também estudantes. A última visita de Fidel ao Brasil ocorreu nos primeiros dias de 2003, na cerimônia de posse de Lula.

Em editorial, a Carta Maior afirmou que o percurso de Fidel Castro foi tão intenso que por muito tempo será como se continuasse por aqui: “Sua relevância vincula-se à da ilha na qual lutou como um leão para provar que certas ideias pertenciam ao mundo através da ação. Deixar uma obra inconclusa, porém não derrotada, em disputa, foi sua maior vitória. Num tempo em que a utopia perdeu o seu horizonte de transição, Fidel ergueu pilares de uma ponte inconclusa, mas não derrotada, que dialoga com nossos desafios e hesitações. Cuba ainda magnetiza, a ponto de ostentar uma estatura geopolítica dezenas de vezes superior ao seu tamanho demográfico e territorial. Ali, mesmo ameaçada por escombros, pulsa a ideia de um mundo novo e fraterno. Enquanto essa pulsação respirar em nós, Fidel será relevante”. Além disso, ressaltou que a morte de Fidel, “ao contrário da rendição inapelável prevista nos prognósticos conservadores, pode levar a ilha a surpreender de novo, ao não sucumbir à fatalidade tantas vezes anunciada. Mas se mantendo como uma ponte inconclusa, a cobrar de outros povos e nações a reinventar a transição rumo a uma sociedade mais justa e libertária no século XXI”. Carta Maior também produziu um especial sobre os 90 anos de Fidel, com o intuito de esmiuçar um pouco mais sobre a vida e o exemplo deste que é considerado um dos mais importantes líderes latino-americanos de todos os tempos.

Confira outros destaques:

1. Manifestação contra a PEC 55 leva milhares à Paulista contra governo Temer

Cerca de 40 mil pessoas, de acordo os organizadores, ocuparam a Avenida Paulista na tarde de ontem (27) para protestar contra a PEC 55 – que limita investimentos públicos por 20 anos –, contra a perda de direitos dos trabalhadores e gritar “Fora Temer”, em manifestação organizada pela Frente Povo Sem Medo, que reúne mais de 30 movimentos sociais, entre eles o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Leia mais aqui.

2. Calero: “Temer disse que eu estava lhe causando dificuldades operacionais”

O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero afirmou, em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, ter ouvido do presidente Michel Temer que ele estava “lhe causando dificuldades operacionais”. As dificuldades seriam o parecer do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) não autorizando a construção de um edifício de 30 andares na Ladeira da Barra, em Salvador. Além das “dificuldades operacionais”, Temer afirmou que “Geddel teria ficado muito irritado”. E que Calero deveria enviar a questão à Advocacia Geral da União (AGU). “Queriam que eu criasse uma chicana jurídica para que o caso fosse levado à AGU”, disparou. Leia mais aqui.

3. Onze testemunhas isentam Lula em audiências da Lava Jato

Por meio de nota, os advogados de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que as audiências – que ouviram 11 testemunhas – realizadas na semana passada na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba resultaram em um “quadro bastante distinto” daquele formado pela acusação inicial do Ministério Público Federal. Lula e sua esposa, Marisa Letícia, foram isentados por todas os depoentes do MPF dos crimes apontados na denúncia. Leia mais aqui.

4. Bancada do PT desmente boatos sobre o debate da anistia ao caixa dois

A Bancada do PT na Câmara, através de nota assinada pelo líder Afonso Florence (PT-BA), desmente boatos a respeito da posição petista no debate sobre a anistia à prática de caixa dois em campanhas eleitorais. O texto enfatiza o que o líder e os demais parlamentares petistas vêm expressando desde que o tema emergiu: as “tentativas de aprovação de anistia ao caixa dois são de responsabilidade exclusiva da base de apoio a Temer”. Leia mais aqui.

5. PT e minoria derrubam possibilidade de que parente de político possa repatriar dinheiro ilegal mantido no exterior

O PT e os partidos que formam o bloco da minoria conseguiram uma vitória importante. Por acordo, excluíram do projeto (PLS nº 405/2016), que reabre o prazo para repatriar recursos ilegais mantidos por brasileiros no exterior, a possibilidade de estender esse benefício a parentes de políticos. Porém, o PT apresentou na quinta-feira (24) uma questão de ordem, na qual cobra o cumprimento desse acordo que possibilitou aprovação do texto com novo prazo de adesão, mas excluindo o benefício a parentes de políticos. Leia mais aqui.

6. PT e Psol finalizam seus pedidos de impeachment

Devem ser apresentados nos próximos dias os pedidos de impeachment contra Michel Temer, que, segundo seu ex-ministro Marcelo Calero, tentou pressioná-lo a cometer um ato de corrupção, para favorecer interesses pessoais do também ex-ministro Geddel Vieira Lima. Um dos pedidos, com apoio de movimentos sociais, como, CUT, MTST, UNE e Central dos Movimentos Populares, deve ser apresentado pelo senador Lindbergh Farias (PT). Um outro pedido deve ser apresentado pelo deputado Ivan Valente (Psol). Leia mais aqui.

7. Assista a reportagens pela TVT

Na TVT, você assiste às reportagens e coberturas sobre os principais temas tratados pela mídia, com uma visão progressista e independente. Acesse pelo site, Facebook ou canal do Youtube da TVT.

Curso de transição para prefeitos(as) eleitos(as)

A Escola Nacional de Formação do PT está preparando o Curso para Prefeitos(as) Eleitos(as). A realização do curso está prevista para o início de dezembro. No curso, serão apresentadas as regras para a transição, entre outros temas de interesse de uma gestão petista.

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