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Com a renda estabilizada, pequenos agricultores do DF vão abrir mão do Bolsa Família
 
 
 
 
Após saírem da miséria e recuperar capacidade de produção, produtores rurais pretendem deixar de receber os benefícios do Bolsa Família
 
“No início a gente não tinha nem semente para plantar. Não tinha nada. Foi o Bolsa Família que nos tirou disso”, conta o agricultor familiar Nelson Franzin, 61. Ele é um dos produtores do assentamento Chapadinha, no Lago Oeste, região do Distrito Federal distante cerca de 30 quilômetros do centro de Brasília. Os programas sociais ligados ao plano Brasil Sem Miséria  fizeram tanta diferença na vida desses trabalhadores que eles se preparam para abrir mão do benefício.
 
“Somos cerca de 50 produtores familiares e boa parte vai abrir mão de alguns programas sociais, devido ao progresso que conquistamos”, diz o presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Agricultura Familiar do Assentamento Chapadinha (Astraf-DF), Anaildo da Silva.
 
De terrenos antes improdutivos, as famílias hoje conseguem retirar até R$ 15 mil anuais. A produção abastece outros programas sociai. Os alimentos colhidos na Chapadinha são enviados, por exemplo, a restaurantes populares e complementam cestas básicas de pessoas em vulnerabilidade social.
 
Não faltam exemplos de agricultores da região que planejam deixar o Bolsa Família. A produtora Francisca Borges, 52, é uma delas. “Quero devolver meu cartão, porque quero que outras pessoas que precisam possam ser ajudadas como eu fui”, afirma. O ingresso de novos beneficiários, não depende da desistência de anteriores.
 
Paixão – Cada um dos agricultores da Astraf-DF tem uma propriedade de 10 hectares. Nelson planta um pouco de tudo. “Meu roçado é a minha paixão. Até maçã eu já colhi aqui no ano passado”, afirma.
 
Antes da chegada do Bolsa Família ao assentamento, a situação era outra. “Tinha gente aqui que não tinha nem o que comer, imagine o que vender”, conta.
 
O caso dos produtores da Chapadinha não é o único. Desde que o programa Bolsa Família foi implementado, em 2003, cerca de 1,7 milhão de pessoas desistiram voluntariamente do auxílio. Atualmente, mais de 74% dos beneficiários do programa trabalha, ao contrário do mito que considera a população atendida como “encostada.”
 
Os beneficiários de todo o país usaram o dinheiro para abrir negócios, estudar. Junto com o auxílio, se abriram várias portas para cursos de qualificação. “Com o dinheiro, meus filhos conseguiram terminar o 2º grau. Agora em julho eu quero voltar a estudar também”, diz Francisca.
 
Essa mudança de vida se reflete na economia do País. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicado em 2013 mostrou que cada R$ 1 transferido para as famílias se transforma em R$ 1,78 na economia do País.
 
Fonte: Site do PT