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Níveis de preconceito contra indígenas

Embora apenas 1% da população admita não gostar de encontrar com indígenas, a opinião sobre este grupo étnico, em muitos casos, aponta para uma visão onde a convivência nem sempre é facilmente compartilhada e muitas vezes indica certo preconceito em relação aos indígenas.

Embora associado a sentido positivo, a grande maioria da população brasileira concorda que “os índios vivem mais de acordo com a natureza do que os brancos” (90%, 75% concorda totalmente com esta afirmação e 15%, parcialmente), e 86% estão de acordo que “os índios protegem mais o meio ambiente do que o branco” (71% concorda totalmente e 15% parcialmente). Esta relação de maior integração dos indígenas com a natureza é menos mencionada pelos moradores da região Centro-Oeste, região onde, atualmente, os conflitos com os povos indígenas estão mais em evidência. Se, na média brasileira, 90% concorda que “os índios vivem mais de acordo com a natureza do que os brancos”, na região norte a concordância é de 77%, mesma taxa dos moradores desta região que acreditam que “os índios protegem mais o meio ambiente do que o branco”, o que é significativamente inferior comparado a média brasileira (86%).
 
Dois terços da amostra concordam que “os índios são os verdadeiros donos das terras do Brasil, porque já estavam aqui quando os brancos chegaram” (66%, com 42% de concordância total e 24% apenas parcial). Na região Centro-Oeste este índice de concordância não ultrapassa metade da amostra (50%) e tem discordância de um terço da população da região (33%, entre discorda totalmente – 20% e 13% parcialmente).

A disputa por terras fica bastante evidenciada quando metade da população brasileira concorda com a afirmação que “no Brasil tem muita terra para pouco índio” (53%, 33% concorda totalmente e 20% parcialmente). Curiosamente, neste aspecto a população da região centro-oeste é a que menos concorda (43%), como também os moradores que residem em municípios em que existem territórios indígenas (46%, contra 53% em municípios onde não há TI), discordância talvez provocada pela maior presença de indígenas nestas regiões e cidades ou mesmo pela observação das condições de vida desta população nestes locais.

Uma visão mais negativa e preconceituosa dos indígenas se observa na concordância uma menor, mas ainda assim expressiva de 28% da população com a afirmação de que “os índios são selvagens, querem resolver tudo a força” e 21% que concordam que “os índios são pobres porque não gostam de trabalhar”. A violência indígena é mais percebida entre os moradores da região Norte (42%), e também é maior em municípios do interior (54%), de pequeno porte (40%) e em áreas rurais (40%), locais onde os conflitos envolvendo indígenas sejam mais evidentes e tenha traços mais violentos. São também os moradores da região norte os que mais concordam com a afirmação de displicência do índio com o trabalho (34%) e nas regiões Nordeste e Sudeste, a discordância com este tópico é maior (70% e 75%, respectivamente), assim como entre os se declaram indígenas (80%).

Uma visão mais extrema e exterminadora sobre os indígenas é observado em uma pequena parcela da população brasileira, – 3% concorda totalmente que “índio bom é índio morto” e 2% concorda parcialmente com esta afirmação, com taxas baixas, em todos os segmentos analisados.

Cerca de dois terços da amostra (60%) acreditam que não existe diferença de inteligência entre os brancos e indígenas, 21%, no entanto, afirmam que os brancos são mais inteligentes, quase dez pontos percentuais a mais do que os que acreditam no contrário (12%). A igualdade na capacidade de inteligência entre índios e brancos é declarada com maior ênfase na região Centro-Oeste (71%), enquanto na região Norte é ligeiramente maior a tacha dos que acreditam que os indígenas são mais inteligentes que os brancos (18%). A afirmação contrária não revela diferenças significantes entre os segmentos analisados.

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Fonte: Portal FPA