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Capítulo 6 – Situação dos indígenas no Brasil hoje

Na opinião de dois terços da população (67%), no Brasil ser índio é diferente de ser não índio, diferença muito acentuada segundo 35% dos entrevistados 27% no entanto consideram que é a mesma coisa ser índio ou não índio no Brasil hoje.

 A diferença entre índios e não índios é principalmente observada entre os que se declaram de raça/ cor amarela (81%, com 42% que considera muito diferente). Os próprios indígenas são os que menos identificam diferenças, com 47% de declaração de que é a mesma coisa ser índio ou não índio no Brasil hoje.

 Entre as diferenças assinaladas 44% indicam aspectos positivos destas diferenças, com 40% apontando para características positivas dos indígenas em relação aos brancos, marcadas, sobretudo, por seu contato próximo e respeito à natureza (22% e 8%, na ordem), sua maneira livre de viver (5%). Outros 5% fazem menção a sua atual urbanização e o fato de estarem mais civilizados.

 Uma pequena parcela faz referências á atual conquista de direitos pelos povos indígenas, ressaltando características positivas do tratamento atribuído a eles, com destaque para benefícios e regalias (3%), políticas governamentais (2%), oportunidades de educação e acesso à universidade (1%, ambos).

 A associação positiva do índio à natureza é principalmente mencionada entre os entrevistados da Região Norte e Centro-Oeste (29%, ambas), os residentes em cidades de pequeno e médio porte (27%, ambos) e aos próprios indígenas (32%). A liberdade dos índios é mais citada entre os que residem na região Centro-Oeste (11%), enquanto sua urbanização atual se destaca entre os negros (10%).

 Já as menções positivas ao tratamento dado aos índios é também mais percebida entre os habitantes das regiões Norte e Centro-Oeste, com especial a destaque a percepção de benefícios e regalias entre os residentes da região Centro-Oeste (12%), enquanto os da região Norte este tratamento é mais percebido como geração de políticas públicas por parte do governo para os povos indígenas (12%).

 Quase o mesmo percentual (40%) indica como diferença entre índios e não índios aspectos negativos, sobretudo relacionados a formas negativas no tratamento dado aos índios (29%), marcada principalmente pelo preconceito e discriminação que sofrem (17%), falta de oportunidade na educação e desrespeito aos seus direitos (6%, ambos), falta de oportunidade de trabalho (4%) e os conflitos por terras (3%).

 Características negativas nos índios são vistas por 15% da população, com 7% que os consideram alienados ou sem conhecimento; menos urbanos e civilizados (4%) selvagens ou violentos e por não estudarem (3%, ambos).

 O preconceito que os indígenas sofrem é principalmente percebido pelos residentes da região Sul (34%), que são também os que mais acham que faltam oportunidades na área de educação para estes povos (11%); o desrespeito aos direitos indígenas é ligeiramente mais citado nas capitais (9%) e entre os negros e os próprios indígenas (8%, ambos), são os indígenas também os que mais mencionam o desrespeito ao direito às terras e os conflitos gerados por esta questão (8%).

 Do ponto de vista das características negativas atribuídas aos indígenas, é na região Norte onde mais aparecem menções negativas percebidas nos indígenas (20%), sobretudo referentes à sua alienação e falta de conhecimento (18%).

Um terço da amostra que percebem diferenças entre índios e não índios (33%) ao fazem referências a aspectos relativos, privilegiando aspectos referentes a uma cultura própria, marcada por outra cultura, tradição e modo de vida (24%), outra forma de se vestir e de se apresentar (8%) e tradições religiosas, medicinais e alimentares próprias (4%, cada).

 Estas características relativas aparecem com maior destaque na região Sudeste (39%), principalmente nos aspectos referentes a possuírem uma cultura própria (38%), o que também se observa mais em municípios onde existem territórios indígenas e nas capitais (30%, ambos). As diferenças relacionadas a aparência, modos de vestir , se pintar e se apresentar são mais citadas nas regiões Norte e Nordeste (14%, ambas).

 Uma parcela dos que se referem àas diferenças entre índios e não índios, o faz a partir de características do não índio (31%) e 16% apontam seus aspectos negativos, tais como destroem a natureza; discriminam os índios (5%, ambos); têm muita ganância e só pensam em dinheiro; querem tomar as terras dos índios (4%, ambos).

 As diferenças negativas apontadas a partir deste ângulo é mais recorrentes nas regiões metropolitanas (22%) e nos municípios em que existem territórios indígenas (22%), onde é mais visível o preconceito e discriminação contra os índios (11%).

 Já os aspectos positivos abordados na diferença a partir dos não índios (14%), se referem ao fato de estes serem mais civilizados (5%) e terem mais oportunidades e melhores condições (4%). São os entrevistados da região Norte e também os indígenas os que mais se referem ao fato do não índio ser mais civilizados (14% e 11%, respectivamente).

 Os 27% que não percebem diferenças entre ser índio ou não índio no Brasil hoje foram questionados quanto á semelhanças percebidas e, dentre os aspectos positivos mencionados (88%) o fato de sermos todos iguais, não haver diferenças lidera, com 40% de menções, muito acima das demais semelhanças apontadas tais como a existência de igualdade de direitos (19%), semelhanças no modo de vida (18%), integração sócio-cultural (15%); no trabalho (13%); na educação (11%).

 As menções a sermos todos iguais se destaca nas regiões Sul e Sudeste (51% e 47%, respectivamente), municípios das regiões metropolitanas (57%) e de médio porte (51%).

 Respostas mais consistentes relacionadas à igualdade de direitos, sobressai nas regiões Centro-Oeste e Sul (27% e 28%); as semelhanças entre os modos de vida se destaca na região Nordeste (28%), capitais e municípios de pequeno porte (27% e 26%, respectivamente) e os entrevistados de descendência negra (26%). A região Sudeste é a que mais menciona a integração sócio-cultural entre os povos (25%), aspecto com que os indígenas são os que mais concordam (21%).

Semelhanças o acesso à educação são mais citadas na região Centro-Oeste e Nordeste (26% e 20%, na ordem), regiões que também são as que mais destacam a semelhança nas relações de trabalho (24% e 19%), como também os negros e indígenas (22% e 20%, respectivamente).

 Já os aspectos negativos observados nesta semelhança (14%), dizem respeito principalmente a igualdade de dificuldades para todos (5%), as brigas por terras envolvendo ambos (4%), e o preconceito e discriminação sofrido tanto por índio quanto por não índios (3%), além da ausência de assistência do governo (2%). Os próprios indígenas e moradores das pequenas cidades são os que mais relatam a igualdade de dificuldades, com 18% e 11%. As demais semelhanças observadas não merecem destaques.

 Na opinião de 39% da população brasileira as melhores coisas em ser indígena no Brasil hoje estão relacionadas à natureza desde viver em contato com ela, sem destruí-la, preservando-a, tendo uma vida mais natural e saudável e em maior relação com os outros animais. Estas percepções são principalmente dos residentes na região centro oeste (45%), os que residem próximos à territórios indígenas (42%) ou em cidades grandes (44%) e entre os próprios indígenas (52%).

As regras sociais das comunidades indígenas como viver com maior liberdade e não ter que dar satisfações nem ter encargos sociais; e os direitos adquiridos por lei com alguma assistência do governo, direitos sociais iguais, direito à terra e leis que o protegem, são outros das coisas boas em ser índio no Brasil hoje (20% e 18%). Esta percepção de conquista de direitos se destaca nas regiões Norte e Centro-Oeste (34% e 36%).

 Há ainda expressivas menções relacionadas à economia das comunidades indígenas, subsistência, de uma relação mais livre com o trabalho e sem preocupações com o consumo e bens materiais (16%), principalmente ressaltada pelos entrevistados de origem indígena (27%) assim como suas tradições culturais, consideradas importante aspecto positivo em ser indígena no Brasil hoje por 15% da população brasileira, marcadas sobretudo por sua herança no passado, seu modo de lidar com deus e os antepassados e sua liberdade em se relacionar com o próprio corpo. Estas referências a aspectos culturais são mais mencionados na região Norte e em cidades de grande porte (20% e 21%, na ordem).

 Por outro lado, as principais coisas ruins em ser índio no Brasil hoje dizem respeito ao preconceito e discriminação que sofrem, relacionados ao medo, ao seu diferente modo de vida , ao fato de andarem nus, não terem estudos e serem vistos com inferioridade, apontados por um terço dos respondentes (34%), principalmente mencionado entre os entrevistados da região Norte (39%).

 Em seguida as disputas relacionadas à terra , com as dificuldades de demarcação, exploração de recursos naturais em terras indígenas, falta de prioridade do governo na resolução dessas questões, despontam como a segunda principal coisa negativa em ser índio no Brasil (28%), opinião cuja menção se destaca na região Nordeste e entre os que se declaram de cor parda (41% e 33%, respectivamente).

 Outras associações negativas à atual condição do índio estão relacionadas ao acesso à saúde (15%), problemas interculturais, de integração, isolamento, falta de modernidade, tecnologia e infra-estrutura (14%), acesso à educação (12%) e violência (11%), além da falta de poder aquisitivo e trabalho remunerado (8%). A falta de acesso à saúde e educação são mais reivindicadas pelos que se declaram indígenas (23% para saúde e 18% para educação), sendo que os problemas relacionados à saúde foram mais destacados na região sul e à educação na região Nordeste (20%, ambos); região em que a violência contra os índios também é mais observada (16%).

 Apesar das diferenças e dificuldades percebidas, a situação dos indígenas no Brasil está melhor que há uns 20 ou 30 anos atrás, segundo 4 em cada 10 entrevistados (43%), cerca de um terço acredita que está pior (32%) e 14% não observam mudanças. Os que mais observam a melhora são os que residem na região Centro-Oeste (64%), nos pequenos municípios (52%) e os de ascendência racial indígena (50%), enquanto os que residem nas regiões metropolitanas são os que mais afirmam que a situação dos indígenas piorou (37%).

 Os principais avanços observados na situação dos indígenas dizem respeito às formas de integração e convivência com os não índios (48%), com maior acesso à educação (23%), integração econômica (17%), acesso à saúde (11%) e apoio e auxílio do governo (10%). Estas formas de integração são principalmente observadas nas regiões Centro-Oeste e Nordeste (69% e 56%, respectivamente em cada região), e nos municípios de pequeno porte (57%), a menção a maior integração econômica é mais presente entre os residentes em municípios onde existem TIs (25%) e também nos de grande porte (22%).

 Já as razões mais identificadas com uma piora na situação dos indígenas nos últimos 20 anos, dizem respeito principalmente à perdas de territórios indígenas (19%) e dos recursos naturais (11%). Ambas as menções predominam entre os residentes nas regiões metropolitanas.

 A perda da cultura e violência e discriminação também merecem destaque, com 5% de menções ambas, sobretudo pelo fato da violência e discriminação ser fortemente notada entre os que se declaram indígenas (10%).

 A percepção de que não houve mudança na situação do indígena (14%) se dá principalmente porque consideram que sua cultura e modo de vida não se mudou (7%), a discriminação contra eles continua a mesma como também os conflitos por terra não deixaram de existir (3%, ambas).

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Fonte: Portal FPA