Depois de prender Lula, impugnar sua candidatura, questionar programas de TV e Rádio com a participação do ex-presidente e até determinar a retirada de postagens nas redes sociais da campanha, a ofensiva contra os direitos do petista continua a avançar. Agora, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se negou a garantir a Lula o direito de gravar mensagens de apoio a Haddad. Ou seja, os direitos de liberdade de expressão e comunicação do ex-presidente encontram-se mais cerceados a cada dia.

Na quinta-feira (13/09) a defesa do ex-presidente entrou com petição junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assegurar o direito de Lula de gravar áudios e vídeos como apoiador da campanha de Fernando Haddad, candidato à presidente, e Manuela d’Ávila, candidata a vice, pela coligação “O povo feliz de novo”.

A petição demandava a “declaração do direito de Lula de participar como apoiador nas propagandas eleitorais gratuitas no rádio e na televisão, por meio da gravação de áudios e vídeos, assim como do direito da Coligação ‘O Povo Feliz de Novo’ de receber o apoio do ex-Presidente Lula e de veicular tal mensagem por áudio e vídeo em sua propaganda eleitoral”.

O ministro do TSE, Sérgio Banhos, decidiu, contudo, por negar o pedido feito pelos advogados. Para o ministro relator da ação, o pedido para autorizar Lula a participar da gravação do programa eleitoral não seria de competência da Justiça Eleitoral.

Apesar da manutenção da perseguição a Lula e ao PT, a pesquisa de intenção de votos para as eleições presidenciais divulgada na quinta-feira (13/09) pelo Vox Populi confirma o poder de transferência de votos do ex-presidente ao seu substituto na chapa, Fernando Haddad.

Quando claramente apontado como o candidato apoiado por Lula, o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação chega aos 22% da intenção de voto, ultrapassando o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e assumindo a liderança na disputa.

Já no levantamento feito pelo instituto MDA à pedido da Confederação Nacional de Transportes (CNT), entre os dias 12 e 15 de setembro, o candidato do PT e da coligação O Povo Feliz de Novo tem 17,6% das intenções de votos na pesquisa estimulada, quando os candidatos são apresentados aos entrevistados.

O voto em Fernando Haddad é um dos mais consolidados. Entre aqueles que escolheram o candidato do PT, 75,4% afirmaram que a decisão é definitiva. Na pergunta que mede a intenção de votar em determinado candidato, a preferência por Haddad também se mostra alta: 13,1% do eleitorado diz que é o único em quem votaria e 27,2% diz que é um candidato em quem poderia votar.

Confira outros destaques:

1. Desenvolvimento com inclusão dá rumo certo à campanha, diz Lula a Haddad

Em encontro com o ex-presidente Lula na tarde de segunda-feira (17/09) na sede da Polícia Federal em Curitiba, o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, disse que informou a Lula que o mérito de seu processo na Organização das Nações Unidas (ONU) será julgado no primeiro semestre do ano que vem. “Ele reitera que não troca a dignidade dele pela liberdade, e tem a convicção de que as cortes superiores do Brasil e os fóruns internacionais vão atestar a sua inocência no processo pelo qual ele foi condenado, porque não há provas, nem sequer indícios de que um crime tenha sido cometido”, afirmou. Haddad disse também que o ex-presidente elogiou a linha adotada pela campanha nestes primeiros dias, desde que o nome de Lula foi impugnado pelo TSE. “Essa linha de que queremos construir um país de paz e harmonia voltado para os trabalhadores, com o foco em trabalho e educação, que são os dois eixos da nossa campanha, ele ficou satisfeito com os resultados, que já esperava, tanto das pesquisas recentes do Datafolha, quanto a de hoje, da CNT, a última que foi divulgada”. Leia mais aqui.

2. Festival Lula Livre em São Paulo: um grito por justiça

No domingo (16/09), a Paulista Aberta ficou pequena para a alegria e animação das pessoas que, com cartazes de Lula Livre e máscaras do ex-presidente, denunciaram sua prisão política e exigiram sua liberdade na segunda edição do Festival Lula Livre. Em meio a muita música, poesias e gritos de reivindicações, o Festival contou com a presença de diversos artistas que conclamaram a retomada da democracia no Brasil. A surpresa do encontro foi uma carta escrita por Lula e lida pelo seu neto Thiago Trindade. “Eles podem apagar as luzes e desligar os microfones, mas mesmo assim vocês continuarão cantando, porque cada um de vocês, artistas e público hoje aqui reunidos é uma semente da primavera que jamais conseguirão deter”. Leia mais aqui.

Ignorando a legislação, que permite manifestações na Avenida Paulista, a prefeitura da capital aplicou uma multa milionária à Frente Brasil Popular, organizadora do evento. Confira aqui a nota da Frente, que repudiou a perseguição política realizada pela prefeitura.

3. A guerra mundial da civilização contra a barbárie e o papel de Lula, por Luis Nassif

O jornalista Luis Nassif acredita que a eleição para presidente da República deste ano tem um elemento que a torna mais dramática do que os pleitos anteriores. “Temos uma guerra mundial hoje em torno da barbárie contra a civilização”, afirmou. A observação vem de encontro às declarações recentes de ex-ministros da França, Espanha, Itália e Alemanha, alguns presentes no seminário Ameaças à Democracia e a Ordem Multipolar, realizado pela Fundação Perseu Abramo (FPA) na sexta-feira (14/09). No caso do Brasil, o jornalista acredita que, desde o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o país enveredou por um caminho que o coloca numa encruzilhada. “A partir do momento em que os partidos, PSDB e outros, endossam o golpe nas instituições, tudo passa a ser possível”, apontou Nassif, que nesse contexto eleitoral entre a vitória da democracia ou da barbárie, representada pela candidatura de Bolsonaro, enalteceu o voto do eleitor nordestino, normalmente alvo de preconceito por parte da população do Sul e Sudeste do Brasil, bem como destacou o papel de Lula nessa guerra em defesa da democracia. Assista à integra do comentário de Nassif aqui.

4. Haddad não se deixa intimidar pela bancada do Jornal Nacional

Foram quase 30 minutos de uma “entrevista” sem brecha para qualquer proposta. Fernando Haddad até recebeu de William Bonner um “obrigado” por “enfrentar” as perguntas da bancada ao final de sua participação no Jornal Nacional, na sexta-feira (14/09). O presidenciável do PT, que colunistas da velha mídia tentam reduzir a “poste de Lula”, passou bem longe de se deixar intimidar. Contornou todos os ataques que recebeu – e não foram poucos, como era previsível – e fez contrapontos às narrativas dos apresentadores. Expôs com clareza e fidelidade aos fatos a aliança do Golpe de 2016 em plena Rede Globo. Leia mais aqui.

5. Tasso Jereissati admite que Golpe de 2016 contra Dilma foi um erro

Apoiador do golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016, o senador Tasso Jereissati, ex-presidente nacional do PSDB, admitiu que os tucanos cometeram um “conjunto de erros memoráveis” após a reeleição de Dilma Rousseff, em 2014, sendo o primeiro deles o questionamento ao resultado eleitoral. O tucano de alta plumagem, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, disse também que o segundo erro foi votar contra princípios considerados básicos do PSDB só para ser contra o PT. Outro erro apontado por Jereissati foi participar do governo Temer. “Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio (Neves). Fomos engolidos pela tentação do poder”, afirmou. Leia mais aqui.

6. Índice dos que desistiram de buscar emprego atinge recorde

O número de pessoas que desistiram de buscar emprego no Brasil atingiu o recorde de 4,8 milhões, que é equivalente a 4,3% da população em idade de trabalhar. Essa situação, de quem já não tem mais esperanças de encontrar trabalho, é classificada como desalento pelo IBGE e chegou ao recorde com o governo golpista de Michel Temer. No Brasil pós-golpe, o número de desalentados é mais que o dobro do registrado de 2012 a 2015. Esse grupo de pessoas tem crescido tanto que vem criando uma distorção nos dados de desemprego. Como muitos desistem de procurar trabalho, passam a ser contabilizados na massa de pessoas fora da força de trabalho, que é composta em geral por aposentados e estudantes. A professora Belinda Mandelbaum, chefe do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP, explicou, em entrevista, que “há o desemprego oculto, que não aparece nas estatísticas. Perde-se de vista esse contingente que desistiu”. Leia mais aqui.

7. Mulheres contra Bolsonaro fazem ato em todo o Brasil no dia 29

No sábado (29/9), milhares de mulheres devem ir às ruas protestar contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). A organização dos protestos ganhou força com o grupo no Facebook “Mulheres unidas contra Bolsonaro”, que em uma semana reuniu cerca de 2 milhões de mulheres críticas ao militar reformado de ultradireita. O grupo acabou saindo do ar, após ter sido invadido com a imagem de capa trocada para o teor a favor de Bolsonaro e suas moderadoras sofrerem ameaças. A rejeição de mulheres a Bolsonaro chega a 49% do eleitorado feminino, segundo pesquisa do Datafolha do dia 10/9. Ou seja, praticamente metade do eleitorado feminino (que corresponde a 53% do total do eleitorado brasileiro) não aceita votar nele de jeito nenhum. O candidato já deu diversas manifestações machistas e misóginas. Ele disse à deputada Maria do Rosário que só não a estupraria porque ela “não merece”, o que lhe rendeu um processo. É dele, também, a seguinte frase: “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”. Confira aqui os locais dos atos em todo Brasil.