O Festival Lula Livre foi, certamente, um dia para entrar para a história. Mais de quarenta músicos, poetas, atores, cineastas, artesãos e dançarinos se revezaram, no sábado (28/07), em dez horas de programação para as mais de 80 mil pessoas que passaram pelos Arcos da Lapa – e outros milhares que acompanharam pela TV e internet. Do funk ao folk, passando por samba, pop, MPB, música latina e rap.

Segundo os organizadores, o evento ocorreu em defesa do restabelecimento da normalidade democrática no País, com a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu direito de participar das eleições de outubro como candidato.

Foram muitos os momentos emocionantes ao longo do festival. Odair José levantou o público do festival com o hit Eu vou tirar você desse lugar, e aproveitou os trocadilhos para mandar um recado a Lula: “cadê você, que nunca mais apareceu aqui, que não voltou para me fazer sorrir”. O cantor afirmou que, nesse momento, não poderia estar em outro lugar que não fosse a Lapa. “Não podemos permitir que o presente leve o futuro de volta para o passado”.

O teólogo Leonardo Boff também subiu ao palco para ler um manifesto pela liberdade de Lula. “Está confuso, mas eu sonho. Sonho ver um Brasil construído de baixo para cima e de dentro para fora, forjando uma democracia popular e participativa”.

Radicado nos Estados Unidos, o músico Daniel Teo voltou ao país natal especialmente para participar do Festival Lula Livre. Ele compôs recentemente a canção You’re not Alone, que põe Lula ao lado de líderes como Mandela e Dalai Lama.

O encontro foi coroado pela presença exuberante de Beth Carvalho. Uma das grandes apoiadoras do evento, ela entrou no palco cantando o jingle composto especialmente para o festival e comemorou a união da esquerda.

O bloco final teve Noca da Portela, Batuque da Lan Lanh, Marcelo Jeneci, Chico César e uma rara aparição de Sérgio Ricardo, compositor da canção que deu origem ao filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. O sambista lembrou a amizade com ex-presidente (ele compôs vários jingles para Lula) e mandou um recado: “Lula, você é meu companheiro. Tenho fé no homem lá de cima que você vai sair dessa”.

A noite terminou com a antológica reunião de Gilberto Gil e Chico Buarque em Cálice, quarenta e cinco anos depois do histórico show Phono 73, mais uma vez bradando contra o “Cale-se” autoritário. “Todos nós que aqui representamos, hoje, o desejo nacional de libertação do nosso líder, manifestamos o processo de luta democrática permanente que temos que ter no país e no mundo inteiro. Viva a democracia. Lula Livre!”, pediu Gil. Chico e Gil encerraram o Festival com o clássico da música brasileira Aquele Abraço, composto em 1969 e que se tornou uma homenagem às belezas da capital fluminense.

No último ato, todos os artistas e apoiadores subiram ao palco para repetir e amplificar o gesto que tem marcado a resistência na Vigília Lula Livre, e desejaram em coro: Boa noite, presidente Lula!

Confira aqui as fotos do festival, e assista aqui à cobertura realizada pela TVT.

Apesar de ignorado pela Rede Globo e por veículos da mídia tradicional, o Festival terminou o sábado em primeiro lugar nos assuntos mais comentados no Twitter no Brasil – e, em alguns momentos, em terceiro no mundo – e foi tema de reportagens de agências internacionais de notícias, reproduzidas por jornais de todo o mundo.

Em carta ao Festival Lula Livre, ex-presidente agradeceu à solidariedade e afirmou que o acesso à arte tem sido fundamental para encontrar forças e resistir. Ele também disse que “em nome dos brasileiros, não podemos desanimar”. Leia a carta na íntegra aqui.

Além do Festival, merece destaque também a obra ‘Lula Livre/Lula Livro’, na qual 86 autores manifestam seu inconformismo com o processo que aprisionou Lula, “travestido com togas cheias de furos e remendos, simulação grosseira dos ritos legais que deveriam nortear a Justiça” e que “obedece a princípios e a um calendário com objetivo calculado: eliminar da disputa presidencial de 2018 o candidato com mais chances de vitória”.

Confira outros destaques:

 1. Plano Lula de Governo 2018

A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou por unanimidade, na sexta-feira (20/07), os cinco eixos temáticos e as ideias-força do “Plano Lula de Governo 2018 – Brasil Feliz de Novo”, na sede do partido em São Paulo. Foram apresentadas cinco diretrizes que vão nortear a estruturação do programa de governo que será registrado no dia 15 de agosto em Brasília junto com a candidatura de Lula. Os eixos centrais são sustentados pela experiência e legado dos dois governos de Lula – defesa da democracia, garantia de direitos, inserção do povo no Orçamento da União – porém, nesse novo momento, apresentam avanços nas propostas. O plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República em 2018 é um exemplo de novas iniciativas na política, com transparência e participação popular. Ainda em 2017, foi lançada a plataforma “O Brasil que o Povo Quer”, recebendo propostas e gerando discussão com pessoas de todo o Brasil por meio digital. Em 2018, sob a coordenação-geral de Fernando Haddad, o plano tem sido desenvolvido em debates com especialistas representantes de diversos segmentos da sociedade civil. Também participam da elaboração Sergio Gabrielli (coordenador-geral-executivo), os ex-ministros Ricardo Berzoini (coordenador de finanças), Luiz Dulci e Gilberto Carvalho, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, além de Renato Simões e Márcio Pochmann, da Fundação Perseu Abramo. Assim como solicitou o próprio ex-presidente Lula, o plano deve ser “ousado”, representando os verdadeiros anseios da população. Baixe aqui os cinco eixos e as ideias-força do plano de governo. E acompanhe os debates e novas informações sobre o plano aqui.

2. O estado de exceção avança sobre as universidades, por Luis Nassif

Desde o golpe, as universidades se tornaram um dos poucos espaços de pensamento crítico. Isso gerou uma ofensiva conjunta da CGU (Controladoria Geral da União), Polícia Federal e Ministério Público contra a autonomia universitária. No início, tentativas de proibição de atos políticos internos. Depois, a identificação de pequenas irregularidades administrativas para justificar ações bombásticas de invasões de campus e prisão de dirigentes e professores, especialmente graves nos episódios da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A burocracia pública, para repasses de verbas federais, convênios, obriga as universidades a pequenas gambiarras, remanejamento de sobras de um programa para outro, na prestação de contas. Há pouquíssimo espaço para corrupção. No entanto, a ofensiva visou criminalizar essas pequenas irregularidades, para abrir espaço para a repressão política. Leia mais aqui.

3. Lula: “Dinheiro na mão de pobre movimenta a economia”

Em artigo inédito publicado em três jornais nordestinos no domingo (29/07) – Jornal do Commercio (PE), A Tarde (BA) e O Povo (CE), o ex-presidente Lula falou da importância de movimentar a economia para o país recuperar sua capacidade de investimento e iniciar um novo ciclo de crescimento. “Dinheiro na mão de rico fica parado no banco. Dinheiro na mão de pobre movimenta a economia”, escreveu. Leia aqui o artigo na íntegra.

4. Mercadante: reforma do ensino médio é nefasta para a educação

O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante publicou uma carta aberta em defesa de um ensino médio de qualidade. O ex-titular da pasta reforçou que o MEC, comandado por Mendonça Filho, “anunciou que realizará, na próxima quinta-feira (2), uma discussão em mais de 28 mil escolas públicas e particulares, envolvendo mais de 509 mil professores, sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio”. Mas, conforme acrescentou Mercadante, “o arbítrio, a falta de diálogo e o entendimento, indispensáveis em qualquer reforma educacional, criaram um generalizado e forte movimento da comunidade educacional pela revogação da Lei 13.415/2017, que instituiu a chamada ‘reforma do ensino médio’, e pelo cancelamento da proposta do golpe para a BNCC do ensino médio”. Por fim, o ex-ministro afirmou: “Assim como parte considerável dos educadores, dos trabalhadores da educação e dos estudantes, tenho a convicção de que as discussões em torno da BNCC são indissociáveis da reforma do ensino médio. Leia mais aqui.

 5. Esposa de Moro abre firma com amigo acusado por Tacla Durán

A turma daqueles que faturam com o circo midiático da Lava Jato cada vez aumenta mais. A advogada Rosângela Wolff Moro, esposa do juiz da 13ª Vara de Curitiba, seguiu os passos do marido e abriu para si uma empresa de cursos e palestras. Ela e mais três sócios atuam juntos no ramo desde janeiro. Detalhes controversos da nova empreitada da Senhora Moro foram revelados na quarta (25//07) por uma reportagem da Agência Pública. A HZM2, cuja principal atividade é “treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial”, foi fundada sob um capital social declarado de 20 mil reais. O nome traz as iniciais dos quatro sócios, todos advogados. Um deles é Carlos Zucolotto Júnior, padrinho de casamento dos Moro e acusado pelo ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Durán, de ter oferecido 5 milhões em troca da facilitação de um esquema de delações premiadas. Outros são Guilherme Henn – sócio de Zucolotto em uma firma de advocacia – e Fernando Mânica. Leia mais aqui.