Em caráter “irrevogável e irretratável”, Pedro Parente – responsável pela atual política desastrosa de preços praticados pela Petrobras na comercialização de combustíveis – pediu demissão na manhã de sexta-feira (01/6). Na carta encaminhada a Michel Temer, Parente afirmou que o que foi prometido por ele, “foi entregue”.

No mesmo dia, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) fez um balanço do que representou para o país a gestão de Pedro Parente nos últimos dois anos na Petrobras. A representante dos trabalhadores relacionou as principais iniciativas de Parente que compõem o seu “legado” à frente da estatal. Segundo da federação, a passagem do administrador tucano pela empresa é “desastrosa”.

A entidade lembrou que, em outubro de 2016, Parente anunciou ao mercado a nova política de reajustes dos derivados nas refinarias, estabelecendo a paridade de preços com o mercado internacional, sem qualquer mecanismo de proteção para o consumidor. “A FUP denunciou que quem pagaria a conta seria o povo brasileiro e que o País estaria refém das crises internacionais de petróleo”, afirmou.

Pedro Parente também assumiu o compromisso com “a não garantia integral do abastecimento do mercado brasileiro por entender que, em sua lógica de negócios, há a previsão do ingresso de mais agentes para o atendimento total da demanda”, como revela o estudo do Ministério de Minas e Energia, Combustível Brasil.

“A redução das cargas das refinarias, a reestruturação dos efetivos de trabalhadores e a entrada em massa no país das importadoras de combustíveis davam as pistas do que estava por vir: o projeto de privatização do parque de refino e da logística de distribuição de derivados”, destacou ainda a FUP.

As digitais de Pedro Parente estão também entranhadas no processo de desindustrialização, agravado pelo fim da política de conteúdo local, “uma das mais perversas ações deste governo. Ele atuou diretamente para reduzir a pó a indústria naval brasileira, ao passar a encomendar no exterior as plataformas e equipamentos dos campos do pré-sal”, disse.

Em nota, o PT destacou que a demissão de Pedro Parente revelou a inviabilidade dessa política entreguista e criminosa de reajustes e importação de combustíveis, que levou à paralisação dos caminhoneiros, gerando desabastecimento e graves prejuízos à economia. Além disso, o partido afirmou que a queda de Parente também expôs a “profunda crise interna do governo golpista, que não tem mais autoridade nem condições políticas de continuar implantando a pauta antinacional e antipovo do golpe do impeachment de 2016”.

O PT ressaltou, ainda, que de nada adianta trocar o presidente da Petrobras para superar essa crise: “É necessário mudar radicalmente sua política privatista e entreguista, que privilegia os interesses das petrolíferas estrangeiras, do capital financeiro e dos acionistas privados (em grande parte estrangeiros), em detrimento do maior acionista que é o povo brasileiro. É preciso resgatar a Petrobras para o Brasil”.

Segundo o partido, é preciso criar uma CPI para investigar quem ganhou com a gestão criminosa da estatal nos últimos dois anos e revisar, imediatamente, a política da Petrobras que resultou nos aumentos abusivos do gás de cozinha, do diesel e da gasolina.

A presidenta eleita Dilma Rousseff conversou com o ex-presidente Lula na quinta-feira (31/05) na sede da Polícia Federal em Curitiba e, depois, contou aos jornalistas que Lula está muito preocupado com “o tamanho do desastre que é a política de preços dos combustíveis praticada pela Petrobras sob o governo Temer”. Também de acordo com Dilma, a simples defesa do livre mercado não justifica aceitar bovinamente o preço internacional do barril para determinar tarifas praticadas nacionalmente. Porque o preço mundial do petróleo é determinado conjunturas políticas internacionais, tensões em zonas de conflitos e bloqueios econômicos, e não no livre mercado.

“Houve um grande esforço de nossos governos para transformar o petróleo do nosso Pré-sal em uma riqueza para os brasileiros. Além disso, houve um esforço muito grande para alcançarmos a autossuficiência na produção. Agora, querem atrelar o preço do nosso petróleo ao do mercado internacional. Por que fazem isso? Porque isso é uma reivindicação dos acionistas da Petrobras. Mas esses são os acionistas minoritários, porque o acionista majoritário é o Brasil, são os brasileiros. Qual é a lógica de defender os acionistas minoritários e não os majoritários?”, questionou Dilma.

No Twitter, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, criticou a intensificação da narrativa dos veículos alinhados ao golpe de 2016, de atribuir às política de incentivo econômico dos governos do PT o desastre provocado por Pedro Parente na política de reajuste de preços da Petrobras. “Impressionante o esforço da mídia pra dizer que a crise que vivemos é porque os governos do PT financiaram a renovação e aumento da frota de caminhões e mantiveram preços decentes para os combustíveis! O que eles querem para os trabalhadores são caminhões velhos e combustíveis caros”, disse.

Confira outros destaques:

1. Como foi o encontro de Dilma com Lula na prisão

Na quinta-feira (31/05), a presidenta eleita Dilma Rousseff visitou o ex-presidente Lula na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Confira aqui o relato comovente deste encontro.

2. Governo insiste em política de preços e sociedade desdenha de redução no diesel

Para baixar o preço do diesel e encerrar a greve dos caminhoneiros, o presidente ilegítimo Michel Temer vai reduzir os investimentos em pelo menos 70 programas sociais. O corte ultrapassará R$ 1 bilhão e as camadas mais pobres da população serão as mais atingidas. “Impacta diretamente, porque você está cortando na verdade recursos da educação, da saúde e diversas áreas sociais que beneficiam as populações de baixa renda para subsidiar só o diesel”, afirmou o professor de economia da Unicamp Eduardo Fagnani. Leia mais aqui.

3. JPT tem novo secretário geral e direção unificada por Lula

A Juventude do PT tem nova direção. Ronald Sorriso, da CNB, foi escolhido no domingo (03/06) secretário nacional, junto com uma direção unitária, em rara composição com todas as correntes internas do partido. A resolução final do Congresso Extraordinário da Juventude do PT, realizado em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba, foi aprovada por unanimidade por todos os mais de 1.200 jovens presentes. Foi aprovada por todos porque foi debatida em cada corrente, com todas as vozes se fazendo ouvir e representar. Entre os principais pontos, os jovens petistas destacaram que “Lula é há quase dois meses um preso político, numa prisão oriunda de um processo sem provas, organizado pela Operação Lava Jato com a anuência do STF e as ameaças do Exército”. Leia mais aqui.

4. Em tom político, Parada LGBT de São Paulo homenageia Marielle Franco

Milhares de pessoas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, para participar da 22ª edição da Parada do Orgulho LGBT no domingo (03/06). Com o tema Poder para LGBTI+, Nosso Voto, Nossa Voz, o evento chamou a atenção para as eleições deste ano, para o respeito às diferenças e se posicionou contra a violência. Na concentração da marcha, a Drag Queen Tchaka puxou um “Fora Temer”, grito que foi ecoado por toda a Avenida Paulista. Ela falou ainda do preconceito diário que os homossexuais enfrentam. “Os LGBTs não podem doar sangue só por serem LGBTs. Precisamos continuar na luta para que isso possa mudar”. Leia mais aqui.

5. Governo deixou de investir R$ 3,6 bilhões em portos públicos

Enquanto o governo negociou terminais portuários por cifras bilionárias com a iniciativa privada, os investimentos em portos administrados pela União caíram nos últimos anos. Entre 2013 e 2017, as Companhias Docas, responsáveis por administrar portos públicos, deixaram de investir R$ 3,6 bilhões em infraestrutura dos terminais. Segundo levantamento, as Companhias Docas tinham previsto em orçamento R$ 5,4 bilhões para serem aplicados em obras e compra de equipamentos entre 2013 e 2017. No entanto, apenas R$ 1,7 bilhão foram efetivamente desembolsados para a melhoria e manutenção das áreas no período. Leia mais aqui.

6. Entidades se organizam em semana contra retrocessos na educação

Na Semana de Ação Mundial 2018, que começa na segunda-feira (04/06), as entidades organizadoras apresentarão três propostas para os debates: defesa e balanço do Plano Nacional da Educação (PNE) aprovado em 2014; um novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, o Fundeb; e a revogação da Emenda Constitucional 95, que congela investimentos públicos no setor por 20 anos. O evento tem como objetivo pressionar o poder público a cumprir ou aprimorar iniciativas ligadas à educação. Já são 15 anos dessa iniciativa que já mobilizou mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo. Leia mais aqui.

7. Lula preso há dois meses, Paulo Preto solto para sempre

Luiz Inácio Lula da Silva governou o Brasil durante dois mandatos. Deixou o cargo com 87% de aprovação, numa marca jamais alcançada por qualquer outro presidente. Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, fez carreira na Dersa, a estatal que toca as obras viárias em São Paulo, estado que ostenta as tarifas de pedágio mais caras do mundo. Numa delas, o Rodoanel, acaba de ser apontado pelo Tribunal de Contas um superfaturamento de R$ 55 milhões. A fama de Lula cruzou o mundo. Nos seus dois mandatos, o Brasil caminhava para ser a quinta economia mundial. O País era respeitado internacionalmente e até Barack Obama o chamava de “o cara”. Essa reputação permanece intocada. A reputação de Paulo Preto é inversa. Sua fama vem da Suíça e das Bahamas, paraísos fiscais onde ele foi acusado de movimentar dezenas de milhões de reais, como operador de propinas do PSDB. O dinheiro foi rastreado por autoridades suíças e depois enviado para o Caribe. Praticante todos os delatores das grandes empreiteiras o acusaram de arrecadar para as campanhas dos senadores José Serra (PSDB-SP) e Aloysio Nunes (PSDB-SP), assim como do ex-governador Geraldo Alckmin. Lula está preso há dois meses. Foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por reformas num imóvel da OAS que nunca lhe pertenceu. O Brasil e o mundo já sabem que esta sentença serve a um único propósito: impedir que ele participe das eleições e, assim, impeça que riquezas nacionais, como o pré-sal, sejam entregues a grandes petroleiras internacionais. Paulo Preto, por sua vez, está solto. Bastou que plantasse notas em colunas de jornais, ameaçando delatar seus chefes para que fosse solto. Leia mais aqui.

8. Socialista Pedro Sánchez será o novo chefe do governo da Espanha

O presidente do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, será o novo chefe de governo espanhol. A Câmara dos Deputados da Espanha aprovou, na sexta-feira (01/06), a moção de censura contra o governo de Mariano Rajoy, do Partido Popular. Após ser indicado pelo rei, Sánchez tomará posse formalmente. O líder socialista, de 46 anos, contou com o apoio dos grupos independentistas e nacionalistas do País Basco e da Catalunha, além de Unidos Podemos, coalizão de esquerda. Após a votação, Rajoy apertou a mão do socialista e saiu sem fazer comentários à imprensa. Leia mais aqui.