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Em Pauta Conjuntura: Lula e Dilma param o sertão em inauguração da transposição

Na fonte, publicado em: 
21 Março, 2017

 

No domingo (19/03), o ex-presidente Lula, acompanhado da presidenta eleita Dilma Rousseff, do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, e de outros parlamentares e lideranças ligadas ao PT, foi para Monteiro, na Paraíba, onde aconteceu a “inauguração popular” das obras da transposição do Rio São Francisco. As estradas da região ficaram congestionadas. Lula e Dilma tiveram a oportunidade de sentir o verdadeiro amor do povo brasileiro. Os dois foram ovacionados no sertão paraibano, duas semanas depois que Michel Temer foi vaiado no mesmo local.

Durante a inauguração oficial do Eixo Leste da transposição, com 217 quilômetros de tubulações e seis estações de bombeamento, o governador Ricardo Coutinho exaltou o papel de Lula na realização dessa obra: “Falavam da transposição desde D. Pedro II. Precisou vir um homem do povo, uma pessoa que sabe a dureza da seca para ter determinação e dizer que iria dar o mais profundo golpe na indústria da seca e no coronelismo. E foi exatamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.  

Em sua fala, Lula agradeceu políticos como Ciro Gomes, seu ministro da Integração Nacional, e seu então vice, José de Alencar, pelo apoio ao projeto e por terem enfrentado muita “cara feia” e as dificuldades burocráticas e políticas impostas à obra de construção do canal que leva 3% da vazão do rio São Francisco para beneficiar sobretudo a população mais pobre, que cultiva lavouras de subsistência. Ele ainda alertou o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), sobre a necessidade de cobrar o governo federal para que construa adutoras e estação de tratamento para as águas. E alfinetou: “O que não pode é deixar fazendeiro pegar toda água só para ele, com bomba. Esse projeto tem função social. O eixo norte está parado desde que essa mulher foi golpeada. É preciso terminar a obra para que o nordestino, se tiver de ir para São Paulo, que seja para passear”.

O ex-presidente mencionou o petista Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, lembrando a criação do ProUni (Programa Universidade para Todos). “Nós não queremos mais ser ajudante de pedreiro, ou pedreiro. Sem querer desmerecer esses profissionais, nós queremos ser engenheiro, queremos ser doutor, ganhar o pão de cada dia com dignidade.”

Lula criticou também o fim de programas como o Ciência sem Fronteiras, que nas suas palavras, permitia exportar estudantes e cientistas, e não só de commodities. E lembrou um passado recente em que os brasileiros eram mais felizes e respeitados em todo o mundo. “Dava orgulho ser brasileiro pela democracia, pela alegria do povo. Hoje quem viaja tem vergonha. Deram golpe numa mulher foi eleita democraticamente".

Sempre fazendo um paralelo entre a vida sofrida do nordestino, marcada pela seca, ele falou da importância da aposentadoria rural para a essa população. E mandou recado para Michel Temer e seus aliados, que comandam a impopular reforma da Previdência: “Se eles não tiverem ouvidos moucos, que escutem o conselho: Só tem uma solução para resolver o problema da Previdência, em vez de cortar o benefício das pessoas. No meu governo, a previdência era superavitária porque criamos emprego, valorizamos o salário mínimo. Esse é o único jeito”, disse, ressaltando que “essa gente não sabe o sofrimento do povo trabalhador”.

 

E que, apesar de governar o país há 500 anos, e nunca aprenderam a cuidar desse povo. “Aqui tem de ter universidade, indústria, escola técnica, mestres e doutores, crianças de barriga cheia”.

Em referência aos ataques diários e à perseguição que sofre por setores da mídia, reafirmou estar à espera de da denúncia de algum empresário. “Eu aprendi a andar de cabeça erguida nesse país não por arrogância, mas por necessidade de viver. Criem vergonha. Não prejudiquem a população para me prejudicar. Não sei se estarei vivo pra ser candidato, porque está longe para a definição de candidaturas. Mas eu digo que eles torcem para eu não seja candidato para o povo voltar a sonhar por emprego e salário”.

Mencionando novamente a mãe, que segundo ele nunca perdeu a esperança mesmo quando não tinha nada para cozinhar para os filhos, disse ter aprendido com ela a acreditar em tempos melhores. “Apesar do que eles tentam fazer comigo, e do que fizeram com Dilma, meu recado é que eles vão ter de brigar comigo nas ruas desse país, e nas ruas o povo vai ser o senhor da razão”.

Confira aqui como foi toda a cerimônia deste dia histórico.

 

Confira outros destaques:

1. Temer anuncia alta de impostos e cortes no Orçamento

Michel Temer e sua equipe econômica devem anunciar um pacote para cobrir o rombo das contas públicas, com direito a aumento de impostos e um corte de cerca de R$ 40 bilhões no já contingenciado Orçamento de 2017. Na tentativa de cumprir o déficit fiscal, a medida pode comprometer ainda mais a economia, uma vez que um corte de gastos nessa proporção poderia provocar uma paralisação dos investimentos públicos em um momento que se quer turbinar a economia. Leia mais aqui.

2. Justiça determina que governo Temer comprove déficit na Previdência Social

A 21ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal deferiu, parcialmente, pedido de liminar formulado pela Federação Nacional dos Servidores da Justiça Federal e do Ministério Público Federal (Fenajufe) contra a União, para que o governo de Michel Temer comprove a veracidade dos dados financeiros que embasam a afirmação de que, atualmente, o sistema de Previdência Social é deficitário. O juiz federal Rolando Valcir Spanholo decidiu que a União deverá esclarecer e detalhar, em 15 dias, a metodologia utilizada pelo governo para apurar o déficit previdenciário de até R$ 140 bilhões, valor "intensamente divulgado nos últimos dias". Leia mais aqui.

Além disso, o senador Paulo Paim (PT) protocolou um pedido de abertura de CPI para apurar desvios na Previdência Social. O pedido teve assinaturas de 47 dos 81 senadores, bem acima do mínimo exigido (27). O parlamentar é contrário à proposta de reforma da Previdência feita pelo governo e em discussão, neste momento, em comissão especial da Câmara. Para Paim, a CPI deverá comprovar que o sistema é superavitário, contestando, dessa forma, argumento do governo para justificar a reforma. "Vamos fazer o debate em todos os estados, para que a população saiba quem está assaltando os cofres da nossa seguridade".

3. Efeitos da terceirização: salários mais baixos, mais acidentes e menos direitos

O Projeto de Lei 4.302/1998, que permite a terceirização de todas as atividades das empresas em todos os setores produtivos, cuja discussão e votação foi adiada para hoje (22), na Câmara dos Deputados, deve trazer inúmeros impactos negativos no mercado de trabalho: redução dos salários, enfraquecimento da Previdência, perda de direitos como aviso-prévio e multa de 40% nos casos de demissão sem justa-causa, além de aumento do número de acidentes. A avaliação é do presidente da Associação Latino-americana de Juízes do Trabalho (ALJT), Hugo Melo Filho, que participou a audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. Ele afirmou que, com a liberação da terceirização das atividades-fim, o número de trabalhadores terceirizados, no país, deve saltar dos atuais 13 milhões para mais de 52 milhões. Leia mais aqui.

4. Governo Temer bate recorde: é o que mais deu cargos a senadores e deputados

Temer está batendo recorde no quesito nomeação de parlamentares em cargos no Governo Federal. Isso explica porque sua gestão tem conseguido tanto apoio para aprovar as reformas e leis impopulares no Legislativo como a EC 55, reforma do Ensino Médio e a da Previdência. Desde a ditadura militar nenhum governo teve tantos senadores e deputados em sua composição quanto o de Michel Temer. São 57,1% dos ministérios ocupados por indicações políticas. Desde 1985, em média, 26% das pastas são ocupadas por congressistas. Leia mais aqui.

5. Parlamentares do PT querem renúncia do ministro Serraglio e CPI da Carne Fraca

Parlamentares do PT querem a renúncia do ministro da Justiça, o deputado federal licenciado Osmar Serraglio (PMDB), e a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para aprofundar as investigações da Polícia Federal na operação Carne Fraca. De acordo com informações divulgadas pela PF, o ministro de Michel Temer (PMDB) está diretamente envolvido com o esquema criminoso que inclui a venda de carnes impróprias para o consumo maquiadas por produtos químicos e nocivos à saúde, por empresas do grupo JBS e a BRF. Para os deputados petistas Paulo Pimenta e Zeca Dirceu, trata-se de mais um ministro flagrado em relação direta com esquema criminoso. "Logo o da Justiça. Não pode ficar no cargo”, defendeu Pimenta. Leia mais aqui.

6. União Europeia, China, Coreia do Sul e Chile barram importação de carne do Brasil

União Europeia, China, Chile e Coreia do Sul anunciaram, na segunda-feira (20), que vão suspender a importação de carne do Brasil, após o escândalo de fraude revelado pela operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Os países também anunciaram o aumento na fiscalização da carne originada do país. Segundo a Reuters, as suspensões são temporárias. A agência afirmou ainda que os produtos de carne bovina brasileiros que estão a caminho da China não terão permissão alfandegária para entrar no país, já que a suspensão para a entrada do produto começou a partir deste domingo. Ainda não houve um anúncio oficial do Governo do país. Também não ficou claro se a restrição vale para todas as empresas ou só para as citadas no escândalo. Leia mais aqui.

7. Marcelo Odebrecht delata Aécio: R$ 50 milhões

O principal responsável pelo golpe parlamentar de 2016 acaba de ser atingido por mais uma delação. Desta vez, de ninguém menos que Marcelo Odebrecht, dono da maior empreiteira do País, que disse ter acertado o pagamento de R$ 50 milhões ao senador Aécio Neves (PSDB) para garantir a entrada de duas estatais, a Cemig, controlada pelo governo mineiro, e a federal Furnas, num consórcio para a construção de uma das usinas do Rio Madeira, na Amazônia. Leia mais aqui.

8. Golpe mirou na Constituição, que sempre esteve sob ataque liberal

Para a professora Leda Paulani, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), a Constituição de 1988 esteve sob ataque liberal desde que surgiu, e essa ofensiva tornou-se mais aguda após o golpe. Com a Emenda 95 (controle de gastos) mais as reformas trabalhista e da Previdência, "a gente vai ter a destruição completa da Constituição", afirmou a economista, durante o debate "Constituição em tempos de crise" promovido pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco. Leia mais aqui.

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