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Em Pauta Conjuntura: O Brasil parou contra o desmonte da Previdência

Na fonte, publicado em: 
16 Março, 2017

 

Os protestos contra a reforma da Previdência mobilizaram mais de 1 milhão de pessoas em todo o país nesta quarta-feira (15). As manifestações foram organizadas pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com articulação das centrais sindicais.

O Dia Nacional de Mobilização Contra a Reforma da Previdência iniciou antes das 7h da manhã, com a ocupação do Ministério da Fazenda, em Brasília (DF), por 2 mil trabalhadores do campo e da cidade. Somaram-se à ação manifestantes que realizavam uma caminhada da Catedral até o local. Segundo os organizadores, este ato contou com 20 mil pessoas.

Outra ação de peso foi a greve nacional dos trabalhadores em educação, que mobilizou professores de redes municipais e estaduais de todo o Brasil. A expectativa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) era de paralisar cerca de 1 milhão de profissionais do ensino.

Em São Paulo, o dia começou com terminais de ônibus e estações do Metrô vazios, vias foram bloqueadas por manifestantes e a Prefeitura liberou o rodízio de carros em toda a cidade. Motoristas e cobradores de ônibus, metroviários e trabalhadores em geral não foram trabalhar.

Mesmo afetada pela paralisação do transporte público, a população apoiou a mobilização e greve contra o desmonte da Previdência proposto pelo governo golpista de Michel Temer (PMDB). Diversos entrevistados afirmaram que, mesmo com o transtorno, apoiavam o movimento.

No ato na avenida Paulista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que “está ficando cada vez mais claro que o golpe dado neste país não foi só contra a [ex-presidenta] Dilma [Rousseff] e os partidos de esquerda, mas para colocar um cidadão sem nenhuma legitimidade para acabar com os direitos trabalhistas e com a Previdência Social”.

Lula também mandou um recado claro ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e a Temer sobre os projetos para o futuro do país: “Em vez de fazer uma reforma para retirar direitos, façam a economia crescer, gerem empregos. O BNDES tem que voltar a ser um banco de investimentos. O governo tem que voltar a governar para o povo mais pobre do país. É preciso parar com essa besteira de privatizações. O Temer tem que começar a vender o que é dele, e não o que é patrimônio do povo brasileiro”, afirmou.

Por fim, o ex-presidente saudou as mobilizações pelo país. “Eu continuo cada vez mais convicto de que somente o povo na rua, utilizando seus instrumentos de luta, e quando a gente tiver um presidente legítimo, a gente vai conseguir fazer o país crescer e gerar emprego”, declarou.

Confira aqui como foi o Dia Nacional de Paralisação Contra a Reforma da Previdência em todo o País.

Para o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, o dia nacional de paralisações abriu espaço para o debate público e maior percepção da população sobre a ameaça a seus direitos. Já o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, afirmou que as mobilizações de ontem foram um marco: "Até aqui, nas últimas manifestações e dias de luta, estavam vindo às ruas apenas os movimentos organizados. Hoje tivemos um salto de qualidade. Muita gente que não está necessariamente mobilizada veio às ruas. Começou a cair a ficha sobre o tamanho do ataque das reformas trabalhista e da Previdência. É o início de um novo momento".

Avaliação semelhante fez o coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP) e da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim. "Está caindo a ficha da população. No momento do impeachment a coisa era mais politizada, mais difícil de debater e de dialogar com a população. Nesse momento, é uma questão concreta, a população está fazendo as contas. Não é uma coisa que depende de filiação partidária, o prejuízo vai ser de todos os trabalhadores".

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, o recado foi dado. "Não vamos aceitar as reformas da Previdência e trabalhista. É bom que deputados e senadores saibam que quem votar a favor será cobrado. Vamos visitar as casas deles, vamos denunciar insistentemente. Não vão acabar com os direitos dos trabalhadores".

Em assembleia que lotou na tarde de ontem (15) a Praça da República, na região central de São Paulo, os professores da rede estadual paulista decidiram entrar em greve no próximo dia 28. A paralisação é contra a reforma da Previdência e trabalhista em andamento no Congresso e, ao mesmo tempo, resposta da categoria à intransigência do governador Geraldo Alckmin. Os docentes querem reposição salarial, que há três anos não recebem, a reabertura de classes fechadas em todo o estado e a revogação de portarias que extinguiram salas de leitura, entre outras medidas que pioram as condições de trabalho e a qualidade do ensino.

Durante ato, ontem (15), em frente à sede da prefeitura de São Paulo, os professores da rede municipal também decidiram manter a greve da categoria e realizar, no próximo dia 21, uma nova assembleia para avaliar a paralisação, assim como a realização de marchas pela cidade para dar visibilidade à pauta. Também foi decidido participar, junto com outros sindicatos, de uma grande manifestação prevista para acontecer em Brasília, no próximo dia 28 de março, com o objetivo de pressionar o Palácio do Planalto e o Congresso a não aprovar a reforma previdenciária.

Mesmo com o Brasil paralisado contra os projetos de reformas da Previdência e Trabalhista de seu governo e da Justiça Federal determinar a imediata suspensão da veiculação de todas as peças do governo sobre a reforma previdenciária, Michel Temer se mostrou alienado e afirmou que a sociedade está compreendendo a necessidade de apoiar as medidas que estão sendo implementadas pela equipe econômica.

 

Confira outros destaques:

1. O preço do golpe

Dias atrás, Michel Temer, que ocupa a presidência de Brasil desde o golpe institucional do ano passado, afirmou que a economia começava a mostrar resultados excelentes. Bom, em se tratando de um cavalheiro que, ao discursar no Dia Internacional da Mulher, disse que o papel delas era essencial para saber dos aumentos de preços nos supermercados, se pode esperar qualquer coisa. Inclusive semelhante disparate. A verdade verdadeira é bem diferente: a pior recessão da história do país é o preço a se pagar pelo golpe institucional que se iniciou em 2015 e que levou à destituição de Dilma Rousseff, processo que se desenrolou entre abril e agosto do ano passado, sacramentado pela legislatura de mais baixo nível das últimas muitíssimas décadas, com parte substancial de deputados e senadores diretamente comprados – não há outra palavra – para assegurar o golpe, sempre sob o olhar bovino do Supremo Tribunal Federal. Leia mais aqui.

2. Ex-diretor da PF diz a Moro que Lula sempre apoiou combate à corrupção

O ex-diretor-geral da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Paulo Lacerda, disse, durante depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, na ação penal que investiga o apartamento tríplex no Guarujá, que nunca sofreu qualquer tipo de interferência durante o governo Lula: "Nunca tive interferência, ao contrário, sempre tive autonomia e apoio para atuar". Ainda segundo ele, no governo Lula, a Polícia Federal recebeu investimentos consideráveis, além de melhorias dos meios de investigação, inclusive com a construção de uma nova sede para a instituição e a abertura de concurso público. Leia mais aqui.

3. Professores da USP lançam campanha pela saída do reitor

Devido à falta de investimentos e à política elitista na Universidade de São Paulo (USP) e, agora, à tentativa promovida pela atual gestão da universidade de impor limite para os gastos com pessoal, a Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) está pedindo a saída do reitor Marco Antonio Zago. A situação se acirrou ainda mais depois que manifestações contra a implementação do teto de gastos foi duramente reprimida pela Polícia Militar (PM), na semana passada. Leia mais aqui.

4. Gilmar faz jantar para políticos investigados

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF, Gilmar Mendes, recebeu em sua casa, na noite desta quarta-feira (15), Michel Temer e alguns dos principais políticos da base do governo para costurar um acordo em torno de uma reforma política. O grupo reuniu alguns dos principais nomes na lista de investigados da Odebrecht, como os senadores José Serra, Aécio Neves e Agripino Maia, além dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Euníco Oliveira. Leia mais aqui.

5. Governo Temer já reduziu em 8,8% repasses para saúde nos municípios

Ao contrário do que afirma Temer e sua equipe – que os investimentos nas políticas sociais estão preservados – levantamento do Observatório de Informações Municipais indica que os repasses do governo federal para os programas e ações de saúde nos municípios foram reduzidos em 8,83% no ano de 2016. Isso significa R$ 12,02 bilhões em perdas reais para Estados e municípios investirem em saúde. Leia mais aqui.

6. MP propõe fim da ação penal contra Lula, OAS e Okamotto sobre acervo presidencial

O Ministério Público Federal deu parecer favorável ao trancamento da ação penal contra Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, que era acusado de lavagem de dinheiro relacionada ao armazenamento do acervo presidencial de Lula. O MPF endossou os argumentos do advogado Fernando Fernandes de que os objetos são de interesse público e que, portanto, não seria crime o armazenamento deles ter sido pago pela OAS. O entendimento se estende a Lula e a Léo Pinheiro, da OAS. Leia mais aqui.

7. Transnacionais estão relacionadas a empresas flagradas empregando trabalho escravo

Transnacionais com sede no Brasil e no exterior têm relações diretas com empresas que constam na "Lista de Transparência sobre Trabalho Escravo Contemporâneo”. O documento traz 250 nomes flagrados por trabalho escravo. A chamada "lista suja", que traz dados de empregadores autuados entre dezembro de 2014 e dezembro de 2016 em decorrência de caracterização de trabalho análogo ao de escravo, estava suspensa desde o final de 2014. Considerando apenas as dez empresas com maior quantidade de trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão, quatro eram fornecedores ou membros de alguma empresa transnacional. Leia mais aqui.

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