A presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, e o presidente estadual do PT no Rio Grande do Sul, Pepe Vargas, denunciaram em coletiva de imprensa na terça-feira (20/03) que milícias de extrema-direita estariam perseguindo a caravana do ex-presidente Lula e tentando impedi-la de cumprir sua agenda de visita às cidades do Sul. Segundo os dirigentes petistas, quando a caravana passou pela cidade de Santa Maria/RS, uma caminhonete que estava perseguindo a comitiva de Lula foi flagrada portando fogos de artifício e pequenas bombas. Além disso, de acordo com Glesi, integrantes dessas milícias tentavam atacar os apoiadores de Lula com pedras e soco inglês.

A Bancada do PT na Câmara dos Deputados emitiu nota, repudiando os atos fascistas de setores da direita agrária do Rio Grande do Sul durante a caravana: “Desde a atividade inaugural da caravana, na cidade de Bagé, um grupo assumiu funções de milícia e passou a seguir e a atacar os veículos da comitiva com pedras e outros objetos. Além disso, os milicianos também agrediram apoiadores do PT – como um grupo de quatro mulheres vítimas da violência fascista em Cruz Alta – e outras pessoas que acompanham a passagem de Lula em cada local do trajeto”.

Sobre o ocorrido com as mulheres em Cruz Alta/RS, o PT também emitiu nota, denunciando os atos de violência e misoginia: “No dia 22 de março, em Cruz Alta, três militantes do PT foram agredidas, tendo uma necessitado ser hospitalizada. A violência contra a mulher se manifesta tanto no espaço privado como no espaço público, e quando as mulheres fazem ouvir sua voz na política, frequentemente tentam ser silenciadas. Isso foi demonstrando na execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), mulher negra, lésbica, periférica, defensora dos direitos de quem nunca os vê garantidos. Não nos calarão! Tais ações de violência vão na contramão da política da Caravana que abre espaços de diálogo e troca, sendo em si, uma defesa da democracia. A política do ódio é o oposto da política do PT, que luta para que estejamos vivas e sejamos respeitadas”.

O Partido dos Trabalhadores informou a situação ao Ministério da Segurança Pública, uma vez que a responsabilidade pela segurança de ex-presidentes recai sobre o governo federal. Também solicitou ao governo do Rio Grande do Sul o reforço da segurança dos ex-presidentes e dos integrantes da caravana.

Áudios trocados por WhatsApp revelaram que os grupos de extrema-direita que tentam intimidar a Caravana Lula pelo Sul agem como terroristas. Combinam as operações em grupo e demonstram não se importar com consequências, como ser detido pela polícia. Os grupos vêm agindo impunemente desde o primeiro dia da Caravana, na segunda-feira (19/03), em Bagé/RS. A imprensa chegou a noticiar que a caravana planejou alterar e encurtar a agenda, mas a organização negou e prosseguiu com as atividades programadas, em nome do compromisso com as populações das comunidades onde é aguardada.

No sábado (24/03), houve muita tensão também em Chapecó/SC, onde Lula fez um ato na praça Coronel Bertaso. Desde a manhã, muitos rojões estouravam no quarteirão onde estava sendo montado o palco para o ato da caravana na cidade. Tratores foram estacionados sem cerimônia e a fita amarela que fechava a rua para informar do trânsito interrompido foi arrancada pelo grupo que vem tentando sabotar a Caravana.

O ex-presidente Lula teve problemas para deixar o hotel porque uns poucos manifestantes barravam a saída, jogando bombas. O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad, relatou terem tentado agredi-lo enquanto caminhava para a praça.

Lula chegou à praça lotada por jovens, idosos, homens, mulheres, crianças, famílias inteiras. Apesar da forte chuva, o povo ouviu o ex-presidente por mais de 40 minutos. Ria das muitas brincadeiras de Lula, que mesmo bem humorado não deixou de responder aos ataques sofridos. “Somos paz e amor, mas não pensem quem vamos dar a outra face”, disse Lula, que completou: “Esses herdeiros políticos do fascismo não conseguem juntar gente para fazer comício e querem impedir que as pessoas façam debate. E o que é mais grave, se tivessem passado fome uma vez na vida, estariam comendo ovo ao invés de tacar ovo”.

Ao final do ato, uma cena histórica. Uma multidão de homens e mulheres de todas as idades e classes sociais se colocaram em fila para conduzir Lula em segurança pelas ruas da cidade catarinense até o hotel. Não há resposta mais retumbante a quem tenta impedi-lo de seu direito de ir e vir, de olhar nos olhos do povo, de manter-se em liberdade, do que ser guiado e abraçado por aqueles que sabem de seu caráter e vivem na pele os efeitos de seu legado de luta.

Apesar da proteção realizada pelo povo, houve um incidente com o ex-deputado Paulo Frateschi, que coordena a caravana pela região. Durante a caminhada de Lula em meio a multidão que formou um cordão para protegê-lo, um agressor conseguiu se aproximar e tentou acertar a cabeça de Lula com uma pedra, mas Frateschi, que está com 68 de idade, se colocou na frente do ex-presidente e foi atingido na orelha, que ficou gravemente ferida.

Dois fenômenos em comum marcam esses episódios de violência: a “incapacidade” [ou desinteresse] das polícias de coibir as ações de uma minoria e a naturalidade como a imprensa comercial, tanto a local quanto a nacional, mencionam as hordas fascistas, como se fossem “manifestantes”, dando a entender equivalerem, em número e grau, às multidões que acolhem a caravana.

Somado a isso, personalidades políticas da região que poderiam interferir de alguma forma para que o direito de ir e vir dos integrantes da caravana fosse respeitado conseguem piorar a situação. No sábado (24/03), em discurso na convenção do PP, a senadora Ana Amélia parabenizou os criminosos. “Vocês precisam saber da maldade que são capazes de fazer com seus adversários. Por isso que hoje quero cumprimentar Bagé, Santa Maria, Passo Fundo, Santana do Livramento, que botou a correr aquele povo que foi lá levando um condenado. Atirar ovo, levantar o relho, é para mostrar onde estamos nós, onde estão os gaúchos”, disse a senadora.

A ex-ministra Ideli Salvati, também ex-senadora petista de Santa Catarina, expressou indignação pela ausência de atitudes das autoridades: “Pessoas já deveriam ter sido presas desde o primeiro movimento que fizeram lá no Rio Grande do Sul. E o mais grave é que há fortes indícios de que boa parte dos que estão aqui em Santa Catarina fazendo esses atos bárbaros são pessoas que já vieram lá do Rio Grande do Sul”.

O PT voltou a acionar o comando a PM do estado para exigir providências contra o comportamento de “conivência” dos policiais com os atos criminosos.

 

Confira outros destaques:

1. Nota de pesar pelo falecimento da pesquisadora Ana Fonseca

O Brasil perde uma das principais referências na área de Políticas Públicas, mais especificamente em programas de transferência de renda. Faleceu na manhã deste domingo, 25 de março, a companheira Ana Fonseca. Nascida em Fortaleza, no Ceará, Ana Fonseca era formada em História, com mestrado em História Social e do Trabalho e doutorado em História Social na área de família e relações de gênero. Ela era, desde 1987, pesquisadora do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sendo reconhecida internacionalmente pelas propostas de políticas sociais de combate à pobreza. Conhecida pelo envolvimento direto na criação do Programa Bolsa Família, Ana Fonseca foi coordenadora do programa Renda Mínima na cidade de São Paulo (2002), secretária-executiva do Programa Bolsa Família (2003) e secretária Extraordinária do Plano Brasil Sem Miséria (2011). Nesses tempos difíceis Ana fará muita falta, mas a luta por um país menos desigual permanece viva por meio do trabalho desenvolvido por durante toda sua vida. Nossa solidariedade aos familiares neste momento de dor. Leia mais aqui.

2. Agenda de mobilizações pelo Brasil em defesa de Lula

A cruel perseguição ao ex-presidente Lula tem o objetivo de impedir o povo de elegê-lo mais uma vez. Lula foi condenado sem provas, num processo em que sequer existe um crime, da mesma forma como ocorreu no  golpe do  impeachment da presidenta legítima Dilma Rousseff. Apesar das falsas acusações que sempre sofreu em mais de 40 anos de vida pública, nunca se demonstrou nada de errado na vida de Lula, porque ele sempre agiu dentro da lei, antes, durante e depois de ser presidente do Brasil. Sua condenação é fruto de uma farsa judicial que vem se desenhando ao longo dos últimos anos em capítulos que se mostram tão ilegítimos quanto antidemocráticos. Defender a liberdade do companheiro Luiz Inácio Lula da Silva e o direito do povo brasileiro de votar naquele que melhor o representa é, neste momento, a principal e mais urgente tarefa do Partido dos Trabalhadores. Confira aqui a agenda de atos e mobilizações pelo Brasil.

3. O mecanismo de José Padilha para assassinar reputações, por Dilma Rousseff

O país continua vivo, apesar dos ilusionistas, dos vendedores de ódio e dos golpistas de plantão. Agora, a narrativa pró-Golpe de 2016 ganha novas cores, numa visão distorcida da história, com tons típicos do fascismo latente no país. A propósito de contar a história da Lava Jato, numa série “baseada em fatos reais”, o cineasta José Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte para atacar a mim e ao presidente Lula. A série “O Mecanismo”, na Netflix, é mentirosa e dissimulada. O diretor inventa fatos. Não reproduz “fake news”. Ele próprio tornou-se um criador de notícias falsas. Sobre mim, o diretor de cinema usa as mesmas tintas de parte da imprensa brasileira para praticar assassinato de reputações, vertendo mentiras na série de TV, algumas que nem mesmo parte da grande mídia nacional teve coragem de insinuar. [O doleiro Alberto] Youssef jamais teve participação na minha campanha de reeleição, nem esteve na sede do comitê, como destaca a série, logo em seu primeiro capítulo. A verdade é que o doleiro nunca teve contato com qualquer integrante da minha campanha. A má fé do cineasta é gritante, ao ponto de cometer outra fantasia: a de que eu seria próxima de Paulo Roberto da Costa. Isso não é verdade. Eu nunca tive qualquer tipo de amizade com Paulo Roberto, exonerado da Petrobras no meu governo. Na série de TV, o cineasta ainda tem o desplante de usar as célebres palavras do senador Romero Jucá (PMDB) sobre “estancar a sangria”, na época do impeachment fraudulento, num esforço para evitar que as investigações chegassem até aos golpistas. Juca confessava ali o desejo de “um grande acordo nacional”. O estarrecedor é que o cineasta atribui tais declarações ao personagem que encarna o presidente Lula. Leia mais aqui.

4. STF muda decisão de Fachin e dá a Lula acesso a processo negado por Moro

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele tenha acesso a provas de um processo sob responsabilidade do juiz Sergio Moro que trata de supostas irregularidades na campanha do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013. O marqueteiro João Santana afirmou que teria trabalhado para ele após um pedido de Lula. Com isso, foi revertida decisão do relator, ministro Edson Fachin, que havia negado a solicitação da defesa. Leia mais aqui.

5. Milhares marcham contra armas nos EUA

Milhares de americanos saíram às ruas em diversas cidades do país no sábado (24/03) para pedir um maior controle de armas. Convocado por estudantes sobreviventes do recente massacre na Flórida, os protestos foram a maior manifestação antiarmas nos EUA dos últimos anos. O principal ato, intitulado “Marcha das Nossas Vidas”, aconteceu em Washington. “Somos as pessoas que têm medo de ir para a escola, pois não sabemos se seremos os próximos. Nossa mensagem é que não vamos nos calar e continuaremos lutando. Nossa geração quer mudança”, afirmou Lauren Tilley, de 17 anos, que veio da Califórnia para participar do ato na capital americana. Leia mais aqui.

6. Temer dá golpe mortal no Ensino Médio

O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante criticou duramente a intenção do golpista Michel Temer de liberar até 40% da carga horária total do Ensino Médio para ser realizada a distância. Para a educação de jovens e adultos, a proposta é permitir que 100% do curso seja fora da escola. A Reforma do Ensino Médio, aprovada em 2017, também abriu brecha ao ensino online — possibilidade vetada anteriormente. O golpe do governo federal vem logo depois de Temer cortar dinheiro para a Educação. Leia mais aqui.

7. Advogados pedem ao MP para investigar ameaças ao padre Julio Lancelloti

Advogados e entidades de direitos humanos entraram com uma representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), na terça-feira (20/03), solicitando a investigação sobre ataques sofridas pelo padre Julio Lancellotti, que tem sido alvo de mensagens de ódio e ameaças de morte. Os ataques são motivados pelo aumento de população de rua na região da Mooca, zona leste da capital. O padre é referência na defesa dos direitos das pessoas em situação de rua em são Paulo. Para os advogados, falta sensibilidade para os moradores do bairro. Leia mais aqui.

8. “Estamos assustados”, diz repórter da EBC sobre censuras do governo Temer

Editores e jornalistas da Agência Brasil, site da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), foram surpreendidos na manhã de terça-feira (20/03) com um e-mail da chefia, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do governo Temer, orientando os trabalhadores a restringirem a cobertura sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco às investigações e ao que dizem as autoridades. Os jornalistas da redação da Agência Brasil em Brasília, então, resolveram fazer um protesto contra a restrição da cobertura e ergueram uma faixa com os dizeres: “Não vão nos calar! Marielle presente”. Em entrevista, Gésio Passos, que é coordenador do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e repórter da EBC, disse que a orientação da chefia configura, sim, uma tentativa de censura e que esse não é um caso isolado. Segundo ele, as intervenções do governo na linha editorial da empresa pública e os vetos têm sido uma constante desde o impeachment de Dilma Rousseff. Leia mais aqui.

9. Moradores de favelas se articulam para criar a Comissão Popular da Verdade no Rio

Com objetivo de acompanhar de perto e denunciar as violações aos direitos humanos cometidas pelo Exército durante a intervenção militar no Rio de Janeiro, está sendo articulada a criação da Comissão Popular da Verdade. Seu nome faz referência à Comissão Nacional da Verdade, criada em 2011 para apurar violações ocorridas na ditadura militar. A Comissão Popular tem sido construída por moradores das favelas, movimentos populares, organizações de direitos humanos, universidades, instituições de pesquisa e diversos mandatos parlamentares. Shirley Muriel, moradora da Rocinha e membro do Coletivo de Favelas, participa da construção da Comissão. Para ela, esse é um espaço muito importante para que os mais pobres consigam sobreviver e resistir à intervenção militar no dia a dia. Leia mais aqui.

10. Vendaval Cambridge Analytica abala os EUA por fraudes com dados do Facebook

A privacidade de 50 milhões de usuários do Facebook pode ter sido violada e seus dados pessoais usados sem seu consentimento na campanha eleitoral de Donald Trump. Ocorreu há dois anos, mas os afetados ainda não foram informados e talvez nem tenham sido identificados pela empresa de Mark Zuckerberg. O escândalo, cuja profundidade real ainda não se conhece, abriu uma imensa crise de confiança. Washington, Londres e Bruxelas exigiram explicações e, no horizonte, emergiu a sombra radioativa da Cambridge Analytica. Sob esse belo nome se esconde uma empresa que durante anos foi considerada o grande prodígio da alquimia eleitoral e que agora, depois de uma investigação dos jornais The New York Times e The Observer, ameaça desintegrar tudo o que tocou. Leia mais aqui.