As principais centrais sindicais do país realizaram um ato de 1º de Maio unificado, com milhares de pessoas, na Praça Santos Andrade, em Curitiba, em defesa da democracia e pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dirigentes da CUT, CTB, CSB, Força Sindical, Intersindical, Nova Central e UGT se revezaram no palanque com artistas como Beth Carvalho, 72 anos de vida e de samba, Ana Cañas e Renegado. “Seja o elo da corrente, vamos caminhar. O povo quer, o povo decide, o povo diz: nós queremos Lula andando livre no país”, dizia a letra do samba “Lula Livre”, de Claudinho Guimarães, cantado por Beth Carvalho, que encerrou o show com “Deixe a Vida me Levar”—o preferido do ex-presidente.

Além de dirigentes sindicais e artistas, o ato reuniu lideranças políticas, incluindo três pré-candidatos à Presidência, que destacaram a unidade como estratégia para combater os retrocessos contra os direitos dos trabalhadores e a escalada da violência fascista.

A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann, leu uma mensagem enviada por Lula aos cerca de 40 mil “companheiros” que estiveram na terça-feira (01/05) na capital paranaense, segundo os organizadores. Gleisi relatou que Lula está bem, física e emocionalmente, e “melhor ainda politicamente. E não está preocupado com a sua atual situação, mas sim com o povo brasileiro e com os rumos deste país”. Leia a mensagem na íntegra aqui.

O ato destacou, ainda, a importância de renovação do Congresso Nacional durante as próximas eleições. Além de “Lula Livre”, que deu o tom geral das manifestações, as lideranças sindicais e políticas ressaltaram que quem votou a favor de medidas como a reforma trabalhista e a Emenda Constitucional 95, que congela investimentos sociais por 20 anos, não merecerá os votos da classe trabalhadora nas próximas eleições em outubro.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, afirmou que foi Lula que forjou a unidade ocorrida neste Dia do Trabalhador de resistência em Curitiba. “1º de maio não é feriado, é dia de resistência, de luta e enfrentamento contra a burguesia e o capitalismo. É isso que estamos fazendo aqui”. Ele destacou também que a palavra de ordem “Lula Livre” já é internacional. “O mundo sabe, mesmo com a mídia brasileira mentindo, que o Lula é um preso político. E é (preso político) porque ele defende os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras”.

Além de Curitiba, atos se espalharam por todo o país. No ABC paulista, a tradicional procissão da Igreja São José Operário até a praça da Matriz, em São Bernardo, onde ocorreu uma missa especial do 1º de maio foi puxada pelos metalúrgicos. Neste ano, a cerimônia religiosa contou com um pedido especial dos trabalhadores: a libertação de Lula.

Em Pernambuco, as mobilizações do Dia do Trabalhador ocorreram na Praça do Derby, no Recife, que foi rebatizada de “Praça da Democracia”. Os trabalhadores se concentraram desde às 9h da manhã, e saíram em caminhada pelas ruas do centro.

Em Contagem (MG), os trabalhadores também participaram de uma missa campal, na Praça da Cemig. Nas preces e cartazes, pedidos por emprego e melhores condições de trabalho.

“É um momento histórico. As esquerdas precisam parar de brigar. O caminho é esse aqui, ir todo mundo para as ruas, fazer pressão”, disse o trabalhador Rafael Carvalho, que esteve presente com a família nos atos do 1º de Maio, em Brasília.

Na região Norte, o “bom dia” ao ex-presidente Lula partiu das águas do Rio Solimões. Trabalhadores cruzaram o Rio, na cidade de Iranduba, no Amazonas, para celebrar o 1º de maio de resistência.

Em Belém (PA), movimentos rurais, centrais sindicais e integrantes das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo realizaram ato na Praça da República, em frente ao Teatro da Paz. Além da capital paraense, Altamira, Barcarena, Abaetetuba, Cametá e Igarapé-Mirim também se mobilizaram.

Mas não foi só no Brasil que os trabalhadores bradaram Lula Livre neste 1º de Maio.  Em diversas cidades do mundo, a solidariedade e a revolta contra prisão política do ex-presidente puderam ser vistas nas manifestações de rua que marcaram o Dia Internacional do Trabalhador. Confira aqui as imagens das manifestações no exterior.

 

Confira outros destaques:

  1. Tragédia no Centro de São Paulo

Uma ocupação de moradia pegou fogo na madrugada de terça-feira (01/05) em São Paulo. O prédio, que desabou no início da manhã de 1º de maio, ficava na região central, próximo ao Largo do Paissandu, na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Antônio de Godoi, e fazia parte do MLSM (Movimento de Luta Social por Moradia). De acordo com a prefeitura, cerca de 150 famílias, totalizando 400 pessoas, eram cadastradas como moradores da ocupação. Ricardo, que se apresentou como uma das lideranças do movimento, falou em 180 famílias. De acordo com relatos, o fogo começou por volta das 1h30 da madrugada no 5o andar. A causa ainda é desconhecida e diversas hipóteses são levantadas. Alguns moradores relatam que o foco teria sido a explosão de um botijão de gás. Outros uma possível briga. Gerivaldo Araújo, que foi porteiro da ocupação, não descarta incêndio criminoso. De acordo com o morador, a ocupação estava sofrendo ameaças há tempos. Ele explicou que, por ficar em uma área valorizada, central e próxima ao metrô, a ocupação era muito visada pela especulação imobiliária e mal vista pela vizinhança.

Em nota de solidariedade aos moradores do Edifício Wilton Paes, o Partido dos Trabalhadores repudiou as tentativas de culpar os próprios moradores e o movimento pela tragédia. Confira a nota aqui.

  1. Defesa de Lula entra com reclamação no STF contra descumprimento de Moro

Na segunda-feira (30/04), a defesa do ex-presidente Lula protocolou no STF uma reclamação para que a Corte faça prevalecer a autoridade da decisão tomada na PET 6780, que determinou que as delações e elementos de corroboração apresentados por executivos da Odebrecht sejam encaminhado à Justiça Federal de São Paulo. A Reclamação mostra que o juiz Sérgio Moro se recusou a cumprir tal decisão da Suprema Corte ao proferir despacho afirmando que iria decidir em “exceção de incompetência” já apresentada pela defesa de Lula na ação relacionada ao sítio de Atibaia à extensão da decisão daquele Tribunal. A decisão do STF deve ser cumprida de imediato e não comporta qualquer análise do juiz de primeiro grau no âmbito de um incidente processual. Leia mais aqui.

  1. Nota: PGR tenta atingir o PT ao formalizar denúncias sem provas

“Mais uma vez a Procuradoria Geral da República, de maneira irresponsável, formaliza denúncias sem provas a partir de delações negociadas com criminosos em troca de benefícios penais e financeiros. Além de falsas, as acusações são incongruentes, pois pretendem ligar decisões de 2010 a uma campanha eleitoral da senadora Gleisi Hoffmann ocorrida quatro anos depois. Mais uma vez, o Ministério Público tenta criminalizar ações de governo citando fatos sem conexão e de forma a atingir o PT e seus dirigentes. A denúncia irresponsável da PGR vem no momento em que o ex-presidente Lula, mesmo preso ilegalmente, lidera todas as pesquisas para ser eleito o próximo presidente pela vontade do povo brasileiro. Junto com nossa Presidenta, continuamos na defesa da verdade, da justiça, da paz e da democracia. Viva o 1º de maio! Lula Livre!”. Comissão Executiva Nacional do PT.

  1. Com Dilma, argentinos pedem “Lula livre” em Buenos Aires

A ex-presidenta Dilma Rousseff participou, na terça-feira (01/05), da Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, na Argentina, onde lançou o livro “Lula: A verdade vencerá”, publicado por Clacso, Octubre, Página 12 e Boitempo Editorial. No evento, também foram lançadas as obras “Os governos do PT: um legado para o futuro”, organizado por Aloízio Mercadante e Marcelo Zero (Clacso e Fundação Perseu Abramo, em espanhol e inglês), e “Comentários a uma sentença anunciada: o caso Lula”, de Carol Proner, Gisele Cittadino, Gisele Ricobom e João Ricardo Dornelles (Clacso e Editorial Praxis). Logo na abertura da Feira, com Dilma no palco, uma plateia com cerca de mil pessoas puxou um coro de “Lula livre”. Mais cedo, Dilma teve um encontro com a ex-presidenta Christina Kirchner. Leia mais aqui.

  1. Expedientes para prender Lula são opção pela barbárie, por Wadih Damous

A irresponsável e ardilosa autorização dada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que Moro determinasse a prisão do ex-presidente Lula, antes mesmo de esgotados os seus recursos legais contra uma decisão condenatória, vai muito além do caso concreto e coloca o Brasil na mais profunda barbárie social. O sistema de justiça criminal brasileiro tem por base parâmetros e princípios que estabelecem regras para a ação estatal e são justamente essas regras que protegem o indivíduo contra o arbítrio do Estado. A inexistência de regras ou o desrespeito a esses pressupostos para a ação estatal é o que diferencia um regime autoritário de um democrático. Leia mais aqui.

  1. STF vota nesta quarta-feira restrição ao foro privilegiado

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma hoje (02/05) o julgamento sobre a restrição ao foro por prorrogativa de função, conhecido como foro privilegiado, para deputados e senadores. Até o momento, há maioria de oito votos a favor, portanto faltam as manifestações de três ministros. No entendimento dos favoráveis, os parlamentares só podem responder a um processo na Corte se as infrações penais ocorreram em razão da função e cometidas durante o mandato. Caso contrário, os processos deverão ser remetidos para a primeira instância da Justiça. O julgamento começou no dia 31 de maio de 2017 e foi interrompido por dois pedidos de vista dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Tóffoli, que será o próximo a votar. O relator, Luís Roberto Barroso, votou a favor da restrição ao foro e foi acompanhado pelos ministros Marco Aurélio, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Luiz Fux e Celso de Mello. Faltam os votos de Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Leia mais aqui.

  1. PT denuncia novo atentado político contra a democracia

Na madrugada de sábado (28/04), criminosos dispararam vários tiros contra o acampamento Marisa Letícia em Curitiba, onde estão acampados apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vigília contra sua prisão ilegal. Os disparos atingiram um integrante do acampamento que está hospitalizado em estado grave. Outra pessoa foi atingida por estilhaços. O ataque é mais um episódio de violência política contra a democracia e acontece um mês depois de tiros terem atingido ônibus da caravana Lula Pelo Brasil no interior do Paraná. Até agora não foram presos os autores dos disparos feitos no mês passado e tampouco os desta madrugada. Depois do golpe de Estado que derrubou a presidenta democraticamente eleita Dilma Rousseff, aumentaram os ataques e assassinatos contra lideranças sociais no campo e na cidade. E, junto, segue uma inaceitável omissão conivente das autoridades e da mídia golpista que silencia ante a barbárie crescente. O assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro continua impune. O mundo inteiro conhecerá mais um crime político que se cometeu no Brasil depois do golpe. O Partido dos Trabalhadores exige punição imediata dos criminosos. Chega de conivência! Basta! Lula livre! Marielle presente! Curitiba, 28 de abril de 2018. Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores.